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"O que a gente vai fazer sem ele?", lamenta enteada de servidor de Itapemirim vítima da covid-19

CORONAVÍRUS

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"O que a gente vai fazer sem ele?", lamenta enteada de servidor de Itapemirim vítima da covid-19

José Bonifácio Rodrigues Tavares estava prestes a concluir sua segunda graduação após os 50 anos. Ele ficou internado por pouco mais de um mês

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

O Espírito Santo está próximo de chegar à marca das 2,7 mil mortes em decorrência do novo coronavírus. De acordo com as informações atualizadas na tarde desta sexta-feira (07) no Painel Covid-19, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), já foram registrados 2.698 óbitos pela doença.

Uma dessas vítimas que não conseguiu vencer a batalha contra o coronavírus foi o servidor público José Bonifácio Rodrigues Tavares, de 58 anos. Boni, como gostava de ser chamado, era agente de vigilância patrimonial da Prefeitura de Itapemirim, no sul do estado, e morreu no último dia 20.

A esposa do servidor, Therezinha dos Santos Lucas, conta que, na metade de junho, Boni começou a sentir os primeiros sintomas da covid-19. "Ele foi internado e eu fiquei com ele no hospital até o dia 30 de junho, quando ele precisou fazer um procedimento de emergência, porque estava com muita falta de ar e não conseguia nem deitar. E nesse procedimento, ele foi para a UTI, e na UTI ele ficou até o dia 19 de julho, quando nós tivemos uma surpresa com a ligação que o hospital faz diariamente para dar o boletim de notícias. Ele nos informou que, nesse dia 19 pela manhã, ele tinha sido testado positivo para o covid", relatou.

Hipertenso, Boni lutou muito contra a doença. Ele ficou quase um mês internado no Hospital dos Evangélicos, também no sul do estado. No entanto, no dia 20 de julho, ele não resistiu e morreu. "Como ele era um paciente em que já tinha sido feita a traqueostomia e estava muito mal, falaram que já ia chegar. E depois ligaram, dizendo que era para nós irmos para o hospital onde ele estava internado. E lá deram a notícia de que ele havia ido a óbito à meia-noite e meia", contou Therezinha.

José Bonifácio era natural de Juiz de Fora, em Minas Gerais, e veio para o Espírito Santo para tentar uma vida melhor. Trabalhou em Vitória, como vendedor de livros, e foi para o sul do estado para trabalhar em uma distribuidora de doces, antes de se tornar servidor público em Itapemirim.

Boni era apaixonado pelos estudos. Depois dos 50 anos, se formou em pedagogia, em 2017. Mesmo com um diploma na mão, foi atrás de outro. Começou a cursar sociologia e iria se formar neste ano.

"Para a gente, ele foi uma presença muito importante e motivadora. Uma pessoa que depois dos 50 anos começou a faculdade e concluiu. Agora, com 58, ele estava na segunda graduação depois dos 50. Ele sempre incentivou a gente a correr atrás das nossas coisas, dos nossos sonhos. Foi uma figura muito importante e faz muita falta para a gente", lamentou Leyliane Gomes, uma das enteadas do servidor.

José Bonifácio era casado com Therezinha há 15 anos e tratava Leyliane e a irmã dela, Viviane Lucas, como filhas. As duas, por sua vez, o consideravam como pai. "Foi um pai realmente para a gente. Foi ele que fez papel de pai para mim. Foi ele que saiu comigo todos os domingos de manhã para me ensinar a dirigir. E agora fica aquela dúvida: o que a gente vai fazer sem ele aqui? A gente está levando, mas na cabeça da gente, ainda não caiu a ficha", disse Viviane.

Além do amor pela família, Boni era muito querido pelos amigos. Sempre que podia, reunia a galera em casa para fazer festas e churrascos. Agora a família vai precisar lidar com a perda de quem ama. "O mais triste é a gente ter que conviver com as lembranças agora. Graças a Deus, são boas lembranças", afirmou Leyliane.

Com informações do repórter Matheus Brum, da TV Vitória/Record TV