O que mudou na nova Matriz de Risco do ES? Entenda os critérios levados em conta pelo Estado para classificação das cidades

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O que mudou na nova Matriz de Risco do ES? Entenda os critérios levados em conta pelo Estado para classificação das cidades

O coronel Alexandre dos Santos Cerqueira, Comandante-Geral do Corpo de Bombeiros do ES, explica o que é analisado para que os municípios fiquem em 'risco baixo', 'moderado' e 'alto'

Mariana Cicilioti e Rodrigo Araújo

Redação Folha Vitória
Foto: Divulgação

A partir desta segunda-feira (31), uma nova Matriz de Risco começou a vigorar no Espírito Santo. O mapeamento define as regras de convivência da sociedade diante do coronavírus, bem como as diretrizes para as cidades enfrentarem a pandemia.

A nova matriz leva em conta dois eixos principais: ameaça e vulnerabilidade. Mas como isso funciona na prática? 

De acordo com o coronel Alexandre dos Santos Cerqueira, Comandante-Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo, no eixo da ameaça são analisados:

- o número de casos ativos por município dos últimos 28 dias;

- a quantidade de testes realizados por grupo de mil habitantes (que pode indicar pessoas assintomáticas e tendências de infecções);

- e a média móvel de óbitos dos últimos 14 dias (somatório do número de mortes dos últimos 14 dias dividido por 14). 

Já o eixo de vulnerabilidade, passa a considerar a taxa de ocupação de leitos potenciais de UTI exclusivos para tratamento da covid-19, isto é, a disponibilidade máxima de leitos para o tratamento da doença. Hoje em dia, o Espírito Santo dispõe, segundo dados do Painel Covid-19, de 715 leitos de UTI equipados para receber pacientes infectados com o coronavírus. Entretanto, devido à política de remanejamento de leitos covid-19 para outras enfermidades, feita pelo governo do Estado, atualmente estão disponíveis à população 633 vagas nas unidades de terapia intensiva para tratamento da doença.

O comandante do Corpo de Bombeiros explica que, para a elaboração da matriz de risco, é levado em consideração o total de leitos aptos a receberem pacientes com covid-19, mesmo que esses leitos estejam destinados, hoje, a outras enfermidades. "Esses leitos possuem toda a estrutura necessária para receber esses pacientes e podem ser rapidamente readequados para essa finalidade", ressaltou Cerqueira.

De acordo com o Painel Covid-19, atualmente a taxa de ocupação desses leitos potenciais de UTI exclusivos para o tratamento da doença é de 63,22% em todo o Espírito Santo. O coronel explica que todos os números considerados para a elaboração da matriz são os observados na sexta-feira à noite. 

"Realizamos o acompanhamento dos números ao longo de toda a semana, mas na hora de elaborarmos a matriz de risco, usamos os dados da noite de sexta-feira. No sábado pela manhã é feita uma checagem desses números e, logo depois, o mapa de risco é divulgado, para entrar em vigor na segunda-feira", detalhou.

Por que a matriz mudou?

Segundo Cerqueira, a mudança nos critérios aconteceu pois o momento da pandemia agora é outro.

"Nós estamos vivendo um outro período agora. Diante disso, foi preciso fazer readequações. A pandemia não acabou, mas ela está contida no Estado e seguindo num ritmo de desaceleração. Nós agora não levamos mais em conta, por exemplo, o índice de isolamento social, pois a maioria das atividades sociais já foram retomadas. A pandemia é dinâmica e a matriz de risco vai seguindo a evolução dela ao longo do tempo", explicou o coronel.

Outro fator que não é mais levado em conta para a produção do Mapa de Risco é a porcentagem de pessoas idosas em cada cidade. Segundo Cerqueira, o critério foi retirado pois ele é um indicador fixo e os municípios não vão conseguir modificar essa porcentagem. 

"Nós percebemos que é um fator que não faz mais sentido levarmos em conta, mas isso não quer dizer que pessoas com mais de 60 anos não estão no grupo de risco para doença, pelo contrário. As cidades têm de pensar medidas específicas para preservar e atender os idosos e as pessoas com comorbidades", disse o coronel.

É possível fazer uma comparação entre os primeiros mapas de risco e os últimos divulgados?

De acordo com Cerqueira, não é recomendável fazer comparações entre as matrizes divulgadas recentemente com as primeiras, pois a dinâmica da pandemia era outra. 

"Nós estávamos em outro momento e a pandemia não estava alastrada em todo o Estado. Com a matriz de hoje podemos comparar com o mapa de risco de maio, por exemplo, quando a coloração das cidades era parecida com a que temos hoje. Com a diferença de que antes estávamos num ritmo de crescimento e agora o cenário é de desaceleração", explicou o coronel.

Quem pensa a matriz de risco?

Segundo a Sesa, o Mapa de Risco segue as orientações dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde e recomendações da equipe de especialistas do Centro de Comando e Controle (CCC) no Espírito Santo, que é composto pelo Corpo de Bombeiros Militar, Defesa Civil, Secretaria da Saúde (Sesa), Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Momento requer cautela

Foto: TV Vitória

Segundo Cerqueira, apesar da melhora nos números, é preciso que a sociedade continue tomando cuidado com higienização, etiqueta respiratória e acima de tudo, com o uso de máscaras, para que situação não volte a piorar. "O não comprometimento com as medidas sanitárias de uma parcela da população pode ocasionar um 'revés'. É preciso colaboração de todos para que a gente continue no caminho certo", disse o coronel.

Desafio para os municípios

O coronel do Corpo de Bombeiros relembra ainda que as cidades agora têm o desafio de atuar na contenção dos casos ativos, para que nos próximos meses, os números sejam ainda melhores e que todos estejam com a 'cor verde' no mapa de risco.

"É preciso que os municípios melhorem o atendimento primário dos pacientes, contenham os casos ativos e aumentem a testagem, que pode identificar os casos em atividade e também os assintomáticos e, assim, tomar medidas para evitar que os casos se espalhem", salientou Cerqueira.

"Uma morte por dia, a gente já fica triste, pois uma vida se foi. Mas a nível de constatação, os números estão melhores agora. A média móvel de óbitos, por exemplo, está em 15, o que nos dá um feedback de que estamos no caminho certo", reforçou o coronel.

Confira a classificação de todos os municípios capixabas:


Foto: governo do ES

RISCO ALTO: Piúma e São Mateus.

RISCO MODERADO: Água Doce do Norte, Águia Branca, Alfredo Chaves, Anchieta, Apiacá, Barra de São Francisco, Boa Esperança, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Colatina, Conceição da Barra, Conceição do Castelo, Domingos Martins, Ecoporanga, Governador Lindenberg, Guaçuí, Guarapari, Ibatiba, Ibitirama, Irupi, Itaguaçu, Itarana, Iúna, Jerônimo Monteiro, Laranja da Terra, Linhares, Mantenópolis, Marataízes, Marechal Floriano, Montanha, Mucurici, Muniz Freire, Nova Venécia, Pancas, Pedro Canário, Pinheiros, Ponto Belo, Presidente Kennedy, Rio Bananal, Santa Leopoldina, São Gabriel da Palha, São Roque do Canaã, Serra, Sooretama, Vargem Alta, Viana, Vila Pavão, Vila Valério, Vila Velha e Vitória.

RISCO BAIXO: Afonso Cláudio, Alegre, Alto Rio Novo, Aracruz, Atílio Vivácqua, Baixo Guandu, Bom Jesus do Norte, Brejetuba, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Fundão, Ibiraçu, Iconha, Itapemirim, Jaguaré, João Neiva, Marilândia, Mimoso do Sul, Muqui, Rio Novo do Sul, Santa Maria de Jetibá, Santa Teresa, São Domingos do Norte, São José do Calçado, Venda Nova do Imigrante.