Caso Milena Gottardi: delegado começa depoimentos do 3º dia de julgamento

JULGAMENTO DO CASO MILENA GOTTARDI

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Caso Milena Gottardi: delegado começa depoimentos do 3º dia de julgamento

A expectativa maior para esta quarta-feira (25) é com relação ao depoimento do delegado Janderson Lube

Redação Folha Vitória

Redação Folha Vitória
Foto: Divulgação

O terceiro dia de julgamento dos acusados de participar do assassinato de Milena Gottardi, começou, por volta das 10 horas desta quarta-feira (25), com o depoimento do delegado Janderson Lube, que conduziu as investigações desse caso.

A expectativa com relação ao depoimento do delegado é grande, já que promete ser o de maior duração e o que vai apresentar informações detalhadas do inquérito, além de provas concretas. Para este terceiro dia, ainda é previsto o depoimento de Douglas Gottardi, irmão de Milena.

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Movimentação tranquila antes do início do julgamento

A movimentação em frente ao Fórum Criminal de Vitória era tranquila antes do início do julgamento. Como nos outros dias, os réus chegaram sob um forte esquema de segurança (fotos acima).

Um dos primeiros a chegar ao local foi o advogado que defende os réus Bruno e Dionathas, Leonardo da Rocha de Souza. Ele disse que aguarda um longo depoimento do delegado e afirmou que terá questionamentos importantes para o andamento do júri.

"Vejo como o dia mais importante deste julgamento. O doutor Janderson vai trazer mais objetivos diretos com relação a participação de cada um dos réus. Quem tem conhecimento de todo o contexto probatório é o delegado. As defesas vão questionar sobre quais provas que o levou para indiciar cada réu", afirmou

"O delegado vai ter que provar que o Bruno furtou essa moto em Fundão"

Leonardo da Rocha de Souza, defesa de Bruno e Dionathas

O advogado Rodrigo Bandeira de Melo, defesa do réu Hilário Frasson, acredita que os dois depoimentos desta quarta-feira serão os mais extensos, dada a relevância das testemunhas.

"São duas pessoas que têm muito a dizer. Teremos que ser ainda mais responsáveis com o depoimento do Douglas, que sofre muito com isso, mas tem muito a esclarecer. E o delegado que foi quem conduziu as investigações, também temos muitas perguntas para esclarecer este caso", disse.

Já o advogado de acusação, Renan Salles, afirmou que o depoimento do delegado vai confirmar todas as provas produzidas no processo.

Acreditamos que a verdade é uma só. Os depoimentos de hoje confirmam que Hilário e seu pai contrataram os demais réus para ceifar a vida da Milena. Hilário era um sociopata que não queria perder o que ele achava que era seu objeto, a Milena. Ela, não satisfeita com o que vivia, queria se separar e ele não aceitava.

Primeiros dias marcados por depoimentos circunstanciais

Os dois primeiros dias do júri, com exceção do depoimento do agente da Polícia Civil Igor de Oliveira Carneiro, foram marcados por depoimentos e provas circunstanciais de testemunhas que falaram sobre a conduta e relacionamento de Milena e Hilário Frasson. 

O policial foi ouvido na terça-feira (24), por cerca de  duas horas e meia, e deu detalhes sobre as ligações telefônicas realizadas pelos acusados e interceptadas pela perícia da Polícia Civil. 

Além disso, de acordo com Carneiro, investigações realizadas no aparelho celular de Hilário, mostram que ele acessou sites pornográficos após reconhecer o corpo de Milena no Departamento Médico Legal (DML), e se encontrou com garota de programa dias após o crime.

Hilário Frasson, que é ex-marido de Milena, está no banco dos réus junto com o pai, Esperidião Frasson, e Dionathas Alves, Hermenegildo Palauro Filho, Valcir da Silva Dias e Bruno Broetto.

Foto: Arte/Julio Lopes

'Milena sentiu que ia morrer', afirmou testemunha

O segundo dia do júri popular dos acusados de participar do assassinato da médica Milena Gottardi foi fechado com o depoimento da prima da vítima, Shintia Gottardi de Almeida, quarta testemunha a ser ouvida na terça-feira (24).

O depoimento durou cerca de uma hora e meia e foi um dos mais emocionantes até agora. Em diversos momentos, Shintia não conteve as lágrimas, principalmente ao lembrar dos momentos em que Milena tentou se separar do ex-policial civil Hilário Frasson, um dos réus no processo, e na hora de dar a notícia da morte da médica para a filha mais velha do casal.

A prima de Milena contou que a médica sentiu que Hilário poderia estar planejando a morte dela quando descobriu, no celular da filha mais velha, uma conversa de Hilário com um homem desconhecido. Segundo a testemunha, Hilário tinha o hábito de utilizar o celular da filha, na época com 9 anos.

Foto: Reprodução

Shintia disse ainda que Milena queria se separar do ex-policial civil porque ele era mau. Segundo ela, Hilário teria dito que se ele era perigoso, o pai dele, Esperidião Frasson, era pior. Esperidião também é acusado pelo Ministério Público Estadual (MPES) de ser um dos mandantes do crime.

A testemunha narrou que, em uma ocasião, Hilário entrou em contato com ela, chorando muito e pedindo ajuda para convencer Milena a desistir da separação. O ex-policial civil teria ameaçado se matar caso a médica continuasse com o processo de divórcio.

Shintia então foi se encontrar com Hilário, na companhia de Douglas Gottardi, irmão de Milena. Quando eles chegaram, o ex-policial estava sentado em uma mesa, chorando muito e com uma arma sobre a mesa, dizendo que iria cometer suicídio.

Ela conta que ficou muito preocupada com a situação e resolveu entrar em contato com os pais de Hilário. Pelo telefone, Esperidião, em tom irritado, teria dito a Shintia que quem tinha que resolver esse problema era Milena e que o filho dele não iria tirar a própria vida.

Logo depois, a prima de Milena comentou com Hilário que tinha ligado para os pais dele. Nesse momento, o ex-policial teria dito: "eu não faço nada não, mas o meu pai faz". Em seguida, completou, em tom ameaçador: "você não devia ter falado nada".

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Quem são as testemunhas do processo

Ministério Público

1 - Aline Coelho Moreira Fraga

2 - Maria Isabel Lima dos Santos

3 - Lícia Maria Araújo Maia

4 - Policial Civil Igor de Oliveira Carneiro

5 - Delegado PCES Janderson Birschner Lube

6 - Marcelle Gomes da Cruz

7 - Fernanda Coutinho Lopes Raposo

8 - Ana Paula Protzzner Morbeck

9 - Douglas Gottardi Tonini

Assistente de acusação

1 - Shintia Gottardi de Almeida

Réus do processo

Hilário Frasson - ex-marido da médica e ex-policial civil

Esperidião Frasson - ex-sogro da vítima

Valcir da Silva Dias e Hermenegildo Palauro Filho - acusados de serem intermediadores do assassinato

Dionathas Alves Vieira - acusado de ser o executor do crime

Bruno Rodrigues Broetto - apontado como o responsável por conseguir a moto utilizada no dia do assassinato

Defesa réu Hilário

1 - João Guilherme Souza Pelição

2 - Rodrigo Alves Alver

3 - Tarcísio Fávaro

4 - Moisés da Silva Soares

5 - Arnaldo Santos Souza

Defesa réu Esperidião

1 - Valdemir Nascimento Lima

2 - Paulo Renato Magvesky

3 - Luciano Nunes Bermudes

4 - Maria Arlinda Bermudes Palauro

5 - José Ferreira Campanholi

Defesa réu Dionathas

1 - Juliana Pábula Brozeguini Batista

2 - Paola Laghasse

3 - Diana Aparecida Pereira

4 - Myller Maradona Pereira Amorim

5 - Julianny Pereira Soares

Defesa réu Bruno

1 - Douglas Miranda Santana

2 - Pedro Carlos Nieiro

3 - Maria das Graças Coelho Nieiro

4 - Claezi Demonei dos Santos

*Os réus Hermenegildo e Valcir não arrolam testemunhas

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