Caso Milena Gottardi: Hilário pesquisou por 'esposa' e 'loirinha' em sites pornográficos

JULGAMENTO DO CASO MILENA GOTTARDI

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Caso Milena Gottardi: Hilário pesquisou por 'esposa' e 'loirinha' em sites pornográficos

Depoimento do delegado Janderson Lube é o primeiro do terceiro dia de julgamento e começou por volta das 10h05

Iures Wagmaker

Redação Folha Vitória
Foto: Iures Wagmaker / Folha Vitória

Pouco depois das 10 horas desta quarta-feira (25), foi iniciado o depoimento do delegado Janderson Lube, primeira testemunha deste terceiro dia de julgamento do Caso Milena Gottardi. 

Lube mencionou fatos que chamaram a atenção da polícia durante a investigação. Um deles foi a sequência de ligações telefônicas entre os seis réus, inclusive no dia do crime. Outro fato foi que, 14 horas depois de perder a própria mulher, Hilário estava acessando sites pornograficos, com pesquisas que faziam menções a 'esposas' e 'loirinhas' praticando os atos sexuais.

Durante o depoimento do delegado, Hilário permaneceu fazendo anotações. O mesmo foi feito por ele nas oitivas desta terça-feira (24). O juiz que preside o julgamento esclareceu que este é um direito garantido, como uma forma de comunicação entre réu e defesa.

Investigações começaram no dia seguinte ao crime

Em seu testemunho, o delegado afirmou que ficou sabendo do crime por meio da imprensa, na noite em que tudo aconteceu. No dia seguinte, ele já deu início às investigações.

Uma dos primeiros passos foi a solicitação, por meio do delegado de plantão, da entrega do celular de Hilário, mas ele não cumpriu. Por isso, foi expedido um pedido de busca e apreensão, cumprido no sábado, dois dias após o crime.

Hilário chegou a adquirir um novo aparelho com uma nova linha telefônica logo após o crime. No entanto, teve problemas durante o cadastro. Na semana seguinte, ele reativou a linha antiga, o que possibilitou a continuidade da interceptação telefônica.

O réu Dionathas foi localizado em Timbuí, no município de Fundão e confessou o crime. Ele também indicou o local onde estava a moto. Era um sítio, que pertencia a Hermenegildo, apontado como intermediário do crime. O caseiro afirmou que viu o executor queimando roupas no dia da prisão.

As investigações apontaram que a moto usada para a fuga foi roubada por um adolescente e entregue a Bruno. O roubo ocorreu em agosto, cerca de 15 dias antes do crime.

Por volta das 13 horas, os advogados de defesa ainda não estavam com a palavra para questionar o delegado.

Prisões começaram no quarto dia após o crime

Segundo o delegado, Dionathas contou sobre toda a dinâmica e organização do crime e disse que recebeu a arma de Hermenegildo. Os mandados de prisão foram expedidos no sábado e, no domingo, já foram cumpridos.

Em ordem cronológica, foram presos: Dionathas (executor), Bruno (apoio), Esperidião (mandante), Valcir (intermediário), Hilário (ex-marido e mandante) e Hermenegildo (intermediário).

Foto: Arte/Julio Lopes

Lube relatou que Esperidião já estava acordado no momento da prisão dele e de Hilário e que ele chegou a oferecer café aos policiais. A condução dos réus foi tranquila.

Na oitiva de Esperidião, chamou a atenção das investigações a informação da venda de um terreno e de uma doação feita a Hilário no valor de R$ 100 mil para custear as depesas de Milena, que estava em São Paulo.

O ex-sogro da vítima não aceitava a separação por ter ajudado Milena financeiramente enquanto ela realizava uma especialização fora do Espírito Santo. Por isso, ele ficou traído.

Na oitiva do réu Valcir, ele confirmou a participação de Esperidião e Hilário no crime. Valcir esteve no hospital no dia do crime. Ele justificou a presença no local afirmando que um parente de nome Valdemar estava internado. No entanto, a polícia não confirmou com o hospital a internação de nenhum paciente com o nome citado.

Já Hilário se manteve frio durante os depoimentos à polícia. Ele se reservou ao direito de só falar quando tivesse acesso aos autos do processo.

De acordo com o delegado, a participação de Hilário no crime começou a ser investigada a partir do momento em que ele fez escala especial da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A polícia estranhou o fato de ele fazer parte das equipes de plantão para entender a dinâmica de investigação.

A prisão de Hermenegildo requeria muito cuidado, já que ele estava em outro estado e foi planejada durante o final de semana. Os policiais foram até o local em uma caminhonete descaracterizada, na região de Alto Capim, em Aimorés.

De acordo com o delegado, chamou a atenção o fato de Hermenegildo estar escondido em uma propriedade onde morava uma criança com câncer, que fazia tratamento com Milena.

Durante o testemunho de Janderson Lube, os advogados de defesa dos réus protestaram por acreditar que o delegado esteja apontando impressões pessoais. Eles solicitaram que Lube se atenha apenas aos fatos.

O delegado fala que, na sua experiência como titular da Homicídios e da Delegacia da Mulher, ele vê que o assassinato de Milena assim como muitos feminicídios se origina com sentimento de posse, em que o marido não aceita o divórcio e entra naquela psicopatia de "se não for minha não será de ninguém".

Movimentação tranquila antes do início do julgamento

Foto: Iures Wagmaker / Folha Vitória

A movimentação em frente ao Fórum Criminal de Vitória era tranquila antes do início do julgamento. Como nos outros dias, os réus chegaram sob um forte esquema de segurança (fotos acima).

Um dos primeiros a chegar ao local foi o advogado que defende os réus Bruno e Dionathas, Leonardo da Rocha de Souza. Ele disse que aguarda um longo depoimento do delegado e afirmou que terá questionamentos importantes para o andamento do júri.

"Vejo como o dia mais importante deste julgamento. O doutor Janderson vai trazer mais objetivos diretos com relação a participação de cada um dos réus. Quem tem conhecimento de todo o contexto probatório é o delegado. As defesas vão questionar sobre quais provas que o levou para indiciar cada réu", afirmou

O advogado Rodrigo Bandeira de Melo, defesa do réu Hilário Frasson, acredita que os dois depoimentos desta quarta-feira serão os mais extensos, dada a relevância das testemunhas.

"São duas pessoas que têm muito a dizer. Teremos que ser ainda mais responsáveis com o depoimento do Douglas, que sofre muito com isso, mas tem muito a esclarecer. E o delegado que foi quem conduziu as investigações, também temos muitas perguntas para esclarecer este caso", disse.

Já o advogado de acusação, Renan Salles, afirmou que o depoimento do delegado vai confirmar todas as provas produzidas no processo.

Acreditamos que a verdade é uma só. Os depoimentos de hoje confirmam que Hilário e seu pai contrataram os demais réus para ceifar a vida da Milena. Hilário era um sociopata que não queria perder o que ele achava que era seu objeto, a Milena. Ela, não satisfeita com o que vivia, queria se separar e ele não aceitava.

Testemunhas de defesa serão ouvidas nos próximos dias

Nos próximos dias, serão ouvidas as testemunhas de defesa. Esperidião Frasson dispensou uma das testemunhas, Dionathas Alves Vieira também dispensou uma e Bruno Rodrigues dispensou duas.

Com isso, ao todo, 15 testemunhas de defesa devem prestar depoimento. Algumas falarão por meio de videoconferência, o que vai acontecer pela primeira vez num júri aqui no plenário de Vitória.