Dono de barbearia senta no chão para cortar o cabelo de criança autista

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Dono de barbearia senta no chão para cortar o cabelo de criança autista

"Para mim foi muito gratificante. A gente enfrenta coisas no dia a dia que não são fáceis. Ficamos com o coração cheio de amor", informou a mãe da criança

Um dia especial para o cabeleireiro Alan Faneli, dono de uma barbearia, na Serra. Ele que está acostumado a cortar o cabelo dos clientes em pé, viveu uma experiência enriquecedora e gratificante. 

Na sexta-feira (30), Alan atendeu uma criança com autismo e precisou encontrar uma maneira de atrair a atenção dela. Quando viu que o pequeno queria ficar olhando a movimentação da rua, aproximou-se dele e sentou-se no chão da barbearia. 

A mãe do menino de dois anos, Maria José Paiva, mora no bairro Taquara II, também na Serra, com o marido e outros dois filhos, o mais velho de 11 anos e uma menina de quatro anos.  

Foto: Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal
O proprietário de um salão masculino, Alan Faneli corta cabelo de criança autista no chão de barbearia.

A reportagem do Jornal On line Folha Vitória entrou em contato com a mãe da criança. Maria José contou que sempre cortou o cabelo do filho em casa, pois não conhecia nenhum lugar que atendesse crianças que necessitam de uma atenção diferenciada. Foi então que decidiu arriscar.

"Tentei procurar um local que atendesse crianças e que tivesse histórico, mas não achei", contou. 

A mãe da criança destacou que o ato do cabeleireiro foi de muita empatia, principalmente, por entender a situação e buscar uma solução. 

"Para mim foi muito gratificante. A gente enfrenta coisas no dia a dia que não são fáceis. Ficamos com o coração cheio de amor. Tem tanto preconceito das pessoas", ressaltou.

O proprietário da barbearia disse que essa não foi a primeira vez que ele atendeu alguém com necessidades especiais e, por isso, tentou se adequar para ganhar a confiança da criança. 

"Um outro cliente também ia cortar o cabelo, mas os pais não sabiam que era autista. Sentia bastante dificuldade para cortar, porque ele ficava muito agitado, mas conseguia", explicou.

Segundo Alan Faneli, foi uma experiência única. "Foi gratificante, pois é uma criança especial. Temos que entender a forma que eles precisam ser atendidos".

Avô cortava os cabelos de Alan

Foto: Reprodução/ WhatsApp

O cabelereiro Alan Faneli, de 36 anos, é proprietário das barbearias Faneli Barber 027 localizadas em Laranjeiras e em Central Carapina, na Serra. 

Antes de ter o próprio negócio, Alan trabalhou na área de Recursos Humanos (RH). Ele chegou a trabalhar com cortes de cabelo em alguns períodos, mas voltou para o RH.

O empresário contou que a trajetória na barbearia começou, de fato, com um convite de amigos para que ele iniciasse as atividades.

"Cortar cabelo era hobbie. Começou com alguns amigos meus que me convidaram para aprender mais sobre cortes. Trabalhei 10 anos na área de Contabilidade, até que resolvi arriscar". 

Alan acredita que a habilidade para cortar cabelos está relacionada a memórias afetivas de seu avô.

"Minha mãe me lembrou que quando eu era criança, quem cortava meu cabelo era meu avô. Hoje, ele tem Alzhaimer. E, por isso, nunca tinha me dado conta disso".