Hermenegildo afirma que esteve no Hucam no dia do crime que matou Milena Gottardi

JULGAMENTO DO CASO MILENA GOTTARDI

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Hermenegildo afirma que esteve no Hucam no dia do crime que matou Milena Gottardi

Ele contou que foi ao local levar Valcir para visitar um amigo internado. O réu ainda disse que não tem ligação com o crime

Iures Wagmaker

Redação Folha Vitória
Foto: Reprodução

O réu Hermenegildo Palauro Filho, apontado como um dos intermediários do assassinato da médica Milena Gottardi, foi o segundo interrogado neste sábado (28), sexto dia de julgamento do caso. Ele confirmou que esteve no hospital onde ocorreu o crime, mas negou participação.

O depoimento de Hermenegildo durou pouco mais de 1 hora. Ele também optou por não responder as perguntas do juiz e dos promotores de justiça, mas falou com o advogado de defesa e os jurados.

Segundo ele, também conhecido como Judinho, sempre trabalhou com compra e venda de animais e também como motorista. Hermenegildo disse que conheço Valcir da Silva há muito tempo, têm um bom relacionamento e moram na mesma região.

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Ele também afirmou que conhece Hilário Frasson. "Eu tive uma relação com ele até quando ele tinha uns 14 anos, pois costumava comprava carne num açougue que eu tive em Timbuí. Depois, ele foi estudar fora e não tive mais contato", disse.

Quanto ao Esperidião Frasson, ele afirmou que conhece de Timbuí e sabe que é pai do Hilário, mas não tinha vínculo com ele.

Já o Dionathas, ele disse que conheceu quando ainda criança, quando tinha cerca de 8 anos. "Ele ia na minha casa. Ficava com meu filho, pois gostava de mexer com animais. Depois ele foi crescendo e esse vínculo foi se perdendo".

Hermenegildo afirmou que nunca foi contratado para nenhuma empreteitada criminosa, inclusive por Esperidião.

Réu foi detido em cidade de Minas Gerais

A prisão aconteceu poucos dias após o crime, quando o réi estava na cidade mineira de Alto Capim. Ele disse que se surpreendeu com a chegada da polícia. "Não estava armado, pois não uso arma. Acordo muito cedo e vi quando chegaram duas caminhonetes. Vi primeiro o delegado, que me tratou super bem e perguntou se eu tinha arma. Disse que não", contou.

Depois disso, ele contou que foi algemado com as mão para trás e colocado na caminhonete. "Vieram conversando comigo e disseram que todo mundo já tinha sido preso e só faltava eu. Vieram trabalhando meu psicológico, tentando colocar palavras na minha boca. Saímos de lá por volta das 6h da manhã e chegamos na delegacia às 14h", afirmou.

Segundo o réu, ao passar pela cidade de Baixo Guandu, ele foi trancado dentro da caminhonete enquanto os policiais tomavam café. "Fiquei sozinho, algemado. Ninguém me disse que eu tinha o direito de ficar em silêncio"

Hermenegildo afirmou que esteve no hospital onde ocorreu o crime no dia do fato, mas foi a primeira vez que foi ao local. 

"Estive no hospital onde o crime aconteceu. Não estive lá em nenhum outro dia antes. Valcir chegou na minha casa pedindo para eu levar ele no hospital porque um conhecido nosso, Valdemar, estava internado com câncer, nas últimas. Valcir insistiu para eu levá-lo para ver Valdemar. Disse que estava com a carteira vencida e com problemas na vista, por isso não poderia dirigir", contou.

"Chegando lá, o Valcir foi ver o Valdemar. Eu não fui porque não estava me sentindo bem. Saí para urinar e depois voltei para o carro escutando umas modas de viola, que eu gosto. Acho que Valcir ficou por lá cerca de uma hora. Ele voltou com uma garrafa de água na mão e eu agradeci".

Ele contou que, na volta, Dionathas passou por eles no estacionamento do hospital, onde estaria acompanhando uma irmã, que fazia hemodiálise, mas não falou com ele.

O réu afirmou que, no dia do crime, viu as pessoas correndo e achou que fosse um acidente. "Até tentei ver o que estava acontecendo, mas estava no sinal e ele abriu e segui meu caminho", afirmou.

Hermenegildo diz que não sabia que moto seria usada no crime

"Dionathas chegou para mim um dia pedindo para deixar a moto na minha casa, pois não tinha condições de deixar na casa dele por conta do terreno. Eu falei que ele podia deixar no meu terreiro. Ela ficou lá por uns 15 dias, mais ou menos. Uns dias depois teve o aniversário de 15 anos da filha de um amigo meu. A moto estava lá, tomando chuva e sol, no sereno. Aí César chegou lá em casa neste dia e eu falei com ele que estava preocupado de deixar a moto sozinha lá, sem ninguém em casa porque todo mundo iria no aniversário. Foi então que peguei a moto, levei para o sítio e guardei ela lá", contou

"Não sabia que a moto era produto de furto e roubo. Dionathas me disse só que iria deixar ela lá, pois estava com a documentação atrasada e faltando umas prestações para pagar", completou.

O réu afirmou que foi procurado por Dionathas, dizendo que precisava da moto para trabalhar. Ele levou o rapaz ao sítio, onde o atirador confesso pegou a moto e saiu.

Segundo ele, estava em Castelo quando Dionathas, novamente, pediu para guardar a moto no sítio. Ele conta que liberou o local e, só depois, ficou sabendo pela imprensa de que o rapaz tinha atirado em Milena Gottardi.

"Eu nunca tive envolvimento e crime nenhum. Estamos na quinta geração familiar em Timbuí e ninguém nunca esteve envolvido em nada de errado. Tive medo de ser preso sim. Quem não tem? Minha filha me ligou perguntando se eu ia me apresentar e eu falei que estava quase ficando louco. Ela pediu para eu procurar um advogado e me entregar", contou.

Chorando, o réu contou que iria se entregar na terça-feira, mas foi preso na segunda. "Sou uma pessoa de bom relacionamento com todo mundo. Até um cachorro lá fala bem de mim. Eu só peço que a justiça seja feita. Eu não tenho culpa em nada", afirmou.

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