Professora consegue na Justiça transferência de escola após sofrer assédio sexual em Cariacica

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Professora consegue na Justiça transferência de escola após sofrer assédio sexual em Cariacica

Mesmo com a gravidade dos fatos, o homem foi mantido no mesmo local de trabalho que a vítima, que ficou sujeita à presença de seu assediador diariamente

A vítima conseguiu na Justiça a transferência de escola. Foto: ​Divulgação 

Uma professora de uma escola pública municipal de Cariacica sofreu assédio sexual por parte do coordenador pedagógico e conseguiu na justiça o direito de ser transferida de colégio para trabalhar.  O município pagará multa de R$ 1 mil por dia se não transferir a professora imediatamente.

De acordo com o depoimento da vítima, os assédios começaram um mês após sua chegada à escola, quando, sob o pretexto de uma reunião, o coordenador a convidou para sua sala. Ao chegar ao local, ainda de acordo com as informações que estão no processo, o homem passou a dizer palavras de cunho sexual à professora, dizendo que deixaria sua família para viver com ela.

Diante da situação inesperada, ela ficou em choque, amedrontada, passando a viver sob tensão constante em seu local de trabalho. Não satisfeito com a recusa da professora, o coordenador pedagógico disse que não desistiria das investidas até que a vítima cedesse. 

Em depoimento, a mulher contou que o coordenador proporcionava uma aproximação cada vez mais audaciosa e que chegou a chamá-la para um lugar ermo próximo ao colégio, onde pudessem ficar longe dos olhares das outras pessoas. Todos os ‘convites’ feitos pelo coordenador foram recusados pela professora.

Diante da situação, a professora relatou as investidas do acusado à diretoria da escola, que pediu que ela escrevesse uma carta endereçada à Secretaria de Educação Municipal, contanto todo o ocorrido. De acordo com o processo, a Secretaria agendou uma reunião entre os envolvidos e demais membros da escola, momento tido como constrangedor pela requerente, que se sentiu humilhada ao ver todo o seu relato exposto de maneira tão pública. Todos os detalhes do assédio, relatados pela mulher na carta, foram expostos na reunião.

A professora contou que ficou angustiada e se viu no centro de uma polêmica envolvendo assédio sexual, muito mais por ser mulher. Ainda de acordo com o depoimento da vítima que está no processo, ela ainda teve que conviver com as ironias do coordenador, que postava indiretas no grupo da escola em uma rede social, alegando que as acusações feitas a ele não dariam em nada, uma vez que a Secretaria, diferente do que pensava a vítima, não o puniria.

Mesmo com a gravidade dos fatos, o homem foi mantido no mesmo local de trabalho que a vítima, que ficou sujeita à presença de seu assediador diariamente. Para poder conviver o máximo possível com a situação, a mulher teria passado a tomar remédios antidepressivos. O problema ultrapassou a esfera profissional, pois a vítima declarou viver com medo, além de ter dificuldade até mesmo para dormir, pois tinha pesadelos constantes com o acusado.

Ao determinar a transferência da servidora, o juiz da Vara da Fazenda Pública Municipal de Cariacica, Jorge Luiz Ramos, entendeu que houve inércia por parte do município em instaurar uma sindicância para apurar os fatos vivenciados pela requerente na escola. 

A Secretaria Municipal de Educação (SEME) informa que ainda não foi notificada sobre o caso, mas se coloca à disposição para o cumprimento da determinação da Justiça. Porém, somente quando receber a notificação judicial, é que poderá tomar as providências cabíveis ao caso.