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Você sabe para onde vai o esgoto da Grande Vitória?

MEIO AMBIENTE

Geral

Você sabe para onde vai o esgoto da Grande Vitória?

Gordura é o maior problema enfrentado no tratamento do esgoto. Em seguida, vêm resíduos como cabelo e fio dental, jogados indevidamente no vaso sanitário

Andressa Missio

Redação Folha Vitória
Foto: Divulgação Cesan
Estação de Tratamento de Esgoto Mulembá, em Vitória

Já parou para pensar qual o destino da água que você usou naquele banho rejuvenescedor? E a água da descarga? A que desce pelo ralo da pia? Não tem milagre: o esgoto não desaparece, como num passe de mágica, só porque você deixou de ter contato ou de ver a sujeira. 

O destino final da água que sai do seu chuveiro é invariavelmente o mesmo: rios, valões e mar. O que muda é a forma como o esgoto chega ao meio ambiente. Quando o imóvel não possui rede coletora de esgoto, é comum o uso de fossas sépticas, que são unidades de tratamento primário de esgoto doméstico, nas quais são feitas a separação e a transformação físico-química da matéria sólida. São simples e baratas, porém indicadas apenas para a zona rural ou residências isoladas. Isso porque o tratamento não é completo como numa estação de tratamento de esgoto. 

Há ainda quem ligue a tubulação diretamente na rede pluvial (que coleta apenas água de chuvas) ou descarte o esgoto em valões, córregos, rios e praias. Ações que agravam a contaminação no meio ambiente e da saúde dos moradores no entorno. 

Estação de Tratamento de Esgoto

Já quando passa por uma Estação de Tratamento de Esgoto - ETE, a água só retorna para a natureza após passar por uma série de etapas. Na primeira, o esgoto permanece em tanques para remoção de sólidos grosseiros e de resíduos como areia, papéis, plásticos, cabelos, e outros resíduos que seguem pelas tubulações indevidamente. 

Depois, são aplicados processos biológicos, aeróbios e anaeróbios - que utilizam organismos que se proliferam na água, otimizando o tratamento e reduzindo custos. Entre as modalidades utilizadas pela Cesan, estão as seguintes:

a) Lagoa de Estabilização:

Aa forma mais simples para o tratamento dos esgotos, mas que precisa de grandes áreas para sua implantação, o que em muitos casos é difícil de encontrar dentro de grandes cidades muito urbanizadas. O tempo de passagem do esgoto pelo sistema, pode variar de 15 até 25 dias para remoção da matéria orgânica e devolução do efluente à natureza. 

O esgoto chega à lagoa onde há uma grande quantidade de micro-organismos aeróbios (que dependem de oxigênio) e permanecem ali até que o processo de decomposição da matéria orgânica termine e o esgoto tratado (efluente) possa ser devolvido a um córrego, rio ou praia.

b) Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente (RAFA) ou Reator UASB

É um reator fechado onde o tratamento biológico ocorre por processo anaeróbio, isto é, sem oxigênio. O esgoto entra pela base do reator, passa por uma manta de micro-organismos anaeróbicos onde ocorre a decomposição da matéria orgânica. O esgoto é tratado e coletado pelas calhas na parte superior. Trata-se de uma tecnologia que ocupa pouco espaço, sendo indicada para centros urbanos, bairros e vilas. Por se tratar de um sistema fechado, há liberação de gás que é coletado e queimado.

c) Lodo Ativado:

Ao chegar à estação, o esgoto é encaminhado para um tanque, onde é submetido à aeração. Estes aeradores promovem o desenvolvimento e bactérias que digerem a matéria orgânica. A atuação dos micro-organismos forma flocos, chamados ee lodo ativado ou lodo biológico. Parte do lodo retorna ao processo e a outra parte é enviada para desague e destinação em aterro ou outro tratamento específico. O esgoto tratado é enviado para o rio.

Foto: Divulgação Cesan
Tratamento de Esgoto no bairro Joana D'arc, em Vitória

De acordo com a Cesan, a eficiência na remoção da matéria orgânica indesejada é de 92%. Em Vitória, o esgoto tratado é despejado principalmente nos rios Santa Maria e rio Jucu

Gordura na tubulação

Segundo o engenheiro químico da Cesan, André Lima, "a gordura é o maior problema enfrentado no tratamento de esgoto. Quando lançada na rede, pode com o tempo se solidificar, reduzindo o diâmetro da tubulação. Caso não seja removida, a consequência é o entupimento das redes e até alagamentos. Temos um grande problema com óleo de fritura de restaurantes na Grande Vitória", explica Lima. 

Em segundo lugar, estão resíduos como fio dental, cabelo, cotonete, preservativo absorvente e até plásticos, papéis, restos de comida e pó de café. Todos eles despejados em locais incorretos, junto com a água. "A população precisa reservar o óleo utilizado e dar o destino correto, como a fabricação de sabão. Também necessita jogar na lixeira os resíduos sólidos, nunca no vaso sanitário", alerta o engenheiro. 

Esgoto in natura e doenças

Para o biólogo e Mestre em Sustentabilidade, Felipe Mello, a falta de tratamento de esgoto traz prejuízos ambientais, no entanto, o maior problema é sócio-econômico. "As pessoas vivem sem dignidade nas regiões onde não há saneamento. Basta se imaginar vivendo em um ambiente em que o esgoto está a céu aberto, onde em épocas de chuva, o valão transborda, invade casas, onde há mau cheiro", desabafa. Além disso, o esgoto despejado in natura provoca doenças como diarreia, leptospirose, esquistossomose e hepatite. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cada real investido em obras de saneamento gera economia de até R$ 5 com tratamento de doenças que tenham origem na falta desse serviço.