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Inquérito Sorológico nos presídios do ES aponta que um a cada três detentos contraiu covid-19

CORONAVÍRUS

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Inquérito Sorológico nos presídios do ES aponta que um a cada três detentos contraiu covid-19

O estudo indica que, estatisticamente, dentre os 22 mil presos do sistema penitenciário capixaba, cerca de sete mil teriam sido infectados pela doença

Foto: Divulgação

A Secretaria da Justiça do Espírito Santo (Sejus) divulgou nesta quarta-feira (16) os resultados da primeira etapa do Inquérito Epidemiológico no sistema prisional. De acordo com o levantamento, foram realizados 1.830 testes rápidos de Covid-19 em internos, servidores penitenciários e profissionais de saúde de todas as unidades prisionais do Espírito Santo. 

A iniciativa em conjunto com a Secretaria da Saúde (Sesa), Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), buscou identificar a realidade da doença no sistema prisional para avaliação das medidas de prevenção, controle e tratamento adotados.

O estudo indicou uma prevalência de 31,6% entre internos do sistema prisional, com a testagem de 844 presos. Desses, 267 tiveram resultados positivos, sendo 81 casos ativos – os demais já estavam curados. A prevalência indica a proporção de casos existentes numa determinada população em um determinado período.

O estudo indica que, estatisticamente, dentre os 22 mil presos do sistema penitenciário capixaba, cerca de sete mil teriam sido infectados, o que mostra que um a cada três detentos contraíram a doença. Na região Norte, 43,7% dos custodiados testados tiveram resultado positivo para a covid-19; na região Metropolitana essa taxa foi de 28,7%, enquanto na região Sul 19,8% dos presos testados tiveram contato com o vírus.

Além disso, os dados apontam que 95% dos internos infectados são do sexo masculino e que 79,6% dos positivados tem entre 21 a 40 anos.

O levantamento traz um importante dado sobre os cuidados adotados nas unidades e sobre atenção à saúde prestada: 791 internos afirmaram higienizar as mãos com frequência e 199 dos internos positivados apresentaram apenas um ou nenhum sintoma.

Perfil dos profissionais testados positivamente

A pesquisa também abrangeu os servidores penitenciários e profissionais da saúde do sistema. Foram realizados 675 testes em servidores penitenciários, dos quais 149 tiveram resultados positivo para a doença – sendo 48 ativos na data da testagem. A prevalência entre os servidores penitenciários é de 22,1%.

Os profissionais de saúde que atuam nas unidades também realizaram os exames: dos 311 testados, 37 apresentaram resultados positivos para a doença – sendo três ativos no momento da testagem. A prevalência para essa categoria foi de 11,9%.

Realizado entre os dias 31 de agosto e 04 de setembro, o estudo seguiu os mesmos moldes adotados no Inquérito Sorológico realizado nos municípios capixabas. Os testes foram realizados de forma aleatória, a partir de um sorteio realizado por meio de aplicativo específico executado pela Ufes.

Para o secretário de Estado da Justiça, Luiz Carlos Cruz, os resultados levantados permitem uma avaliação positiva das medidas adotadas nas unidades prisionais:

“A suspensão das visitas, o reforço na higienização pessoal, dos espaços em comum das unidades e viaturas, além do uso de máscara pelos nossos profissionais demonstraram eficácia para a prevenção e controle da doença. O estudo também permite identificar que os presos com sintomas gripais tiveram o atendimento médico no sistema. O baixo número de casos ativos no momento da testagem é mais um indicativo de que a doença está controlada. A Sejus agora irá reavaliar protocolos para promover ainda mais saúde e segurança ao sistema prisional capixaba”, pontuou.

A professora e epidemiologista da Ufes, Ethel Maciel, ressalta que o resultado do inquérito irá pautar as ações da Sejus com relação aos protocolos de biossegurança.

“Esse estudo para o sistema prisional é de extrema importância porque ele vai fornecer subsídios aos gestores da Secretaria para, diante dos resultados, tomar melhores decisões em relação aos protocolos de biossegurança e para entender também os impactos das ações implementadas até agora para a diminuição da transmissão, adoecimento e letalidade da doença. Os resultados da pesquisa irão guiar de forma científica essas ações e torná-las mais efetivas”, disse Ethel Maciel.

Para realização da segunda fase do Inquérito Epidemiológico, a Sejus aguarda o recebimento dos testes pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), com a previsão de testagem de cerca de duas mil pessoas.