ONG pede investigação sobre ataque dos EUA contra hospital no Afeganistão

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ONG pede investigação sobre ataque dos EUA contra hospital no Afeganistão

Redação Folha Vitória

Genebra - A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras pediu que seja realizada uma investigação independente, seguindo as regras das Convenções de Genebra, sobre o ataque aéreo dos Estados Unidos em um hospital em Kunduz, no Afeganistão, que deixou 22 mortos.

O grupo afirmou que, caso ocorresse, essa investigação seria a primeira em que uma missão do tipo seria lançada sob essas regras internacionais. A presidente internacional da entidade, Joanne Liu, disse que o ataque realizado no fim de semana "não foi apenas um ataque ao nosso hospital, foi um ataque às Convenções de Genebra. Isso não pode ser tolerado".

O MSF disse que a medida seria um primeiro passo para estabelecer a verdade sobre o incidente e a cadeia de comando que levou ao ataque aéreo. Nesse estágio, a apuração não teria ainda a intenção de apresentar acusações criminais contra qualquer dos responsáveis.

A presidente da MSF disse que "está trabalhando com a suposição de um possível crime de guerra". Segundo ela, uma investigação pode também esclarecer melhor as regras de operação para todas as organizações humanitárias em zonas de conflito. "O ataque dos EUA ao hospital do MSF em Kunduz foi a maior perda de vidas de nossa organização em um ataque aéreo", afirmou Liu. "Dezenas de milhares de pessoas em Kunduz não podem mais receber ajuda médica agora, quando eles mais precisam. Hoje nós dizemos: chega. Mesmo a guerra tem suas regras."

A diretora jurídica do MSF, Françoise Saulnier, notou que o lançamento da investigação necessitaria da "boa vontade" dos países. O grupo disse estar aguardando respostas a cartas enviadas na terça-feira a 76 países signatários do artigo 90 do protocolo adicional das Convenções de Genebra, buscando mobilizar uma comissão de 15 membros de especialistas independentes estabelecida em 1991. Nesse caso, os EUA e o Afeganistão, que não são signatários desse protocolo, também precisariam dar seu aval. Fonte: Associated Press.