Professor acusado de racismo é afastado e continuará recebendo salário da Ufes

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Professor acusado de racismo é afastado e continuará recebendo salário da Ufes

Durante o período do afastamento, que poderá ser prorrogado por mais 30 dias, não haverá prejuízo de salário para o professor, já que o caso ainda está sob análise

A Ufes confirmou o afastamento do professor, nesta quinta-feira (06) Foto: Divulgação

Nesta quinta-feira (06), o Departamento de Economia da Universidade Federal do Espírito (Ufes) decidiu afastar o professor Manoel Luiz Malaguti de todas as atividades acadêmicas, por um prazo de 30 dias. Segundo a Ufes, o afastamento foi recomendado pelo  do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão e da comissão de sindicância. A decisão visa à preservação das integridades intelectual, emocional e física dos estudantes e do professor.

Durante o período do afastamento, que poderá ser prorrogado por mais 30 dias, não haverá prejuízo de salário para o professor, uma vez que o caso ainda está sob análise da comissão de sindicância.  "Não podemos punir ninguém sem julgar. O afastamento com remuneração é um direito do professor, previsto no regime jurídico dos servidores", afirma a vice-reitora Ethel Maciel. 

O Departamento de Economia também já está providenciando um professor para substituir o professor Manoel Malaguti em suas atividades acadêmicas

Nesta quinta-feira (06), o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Ufes também emitiu Moção de Repúdio.

O caso

Na última segunda-feira (03), um professor do Departamento de Economia da Ufes gerou polêmica ao fazer comentários de cunho supostamente racistas durante uma das suas aulas. 

De acordo com os relatos de alunos do curso de Ciências Sociais, o professor dirigiu-se aos universitários cotistas, dizendo que “detestaria ser atendido por um médico negro ou advogado negro” e que o nível intelectual da Ufes reduziu-se com a presença de negros cotistas. 

Além disso, segundo testemunhas, o professor declarou que tem dificuldades em adaptar sua linguagem culta para explicar os conteúdos a uma “turma incapaz”, onde há alunos cotistas.

Nas redes sociais, alunos, advogados e até outros funcionários da Universidade se mostraram contrários às declarações do docente. Porém, houve quem defendesse o professor. 

Na terça-feira (04), o desembargador Willian Silva ofereceu representação criminal ao Ministério Público Federal contra o professor.

Já na quarta-feira (05), a reitoria da Ufes informou que o professor havia sido afastada da turma onde a confusão foi registrada, e que um procedimento administrativo foi instaurado.  Estudantes também interditaram a avenida Fernando Ferrari em protesto contra o professor.