Lama de barragens começa a chegar ao Espírito Santo

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Lama de barragens começa a chegar ao Espírito Santo

A onda já passou pelo Rio Gualaxo do Norte, pelo Rio do Carmo e agora está se deslocando ao longo da calha do Rio Doce. A previsão é de que nesta quarta-feira (11) chegue a Linhares

A lama é resultado do rompimento de duas barreiras de contenção de rejeitos da mineradora Samarco Foto: Divulgação

Parte da onda de lama começou a chegar ao Espírito Santo na manhã desta terça-feira (10). O primeiro município a receber os rejeitos de minério é Baixo Guandu, mas em Colatina o nível do Rio Doce também já apresenta aumento no volume e cor mais avermelhada.

A barragens de Mascarenhas está com algumas comportas abertas para liberar água e reservar espaço para os rejeitos. É possível notar a elevação do nível do Rio, porém, a água liberada já demonstra características de sujeira e vermelhidão. 

O deputado Da Vitória, que realizou um sobrevoo pela região falou sobre a situação da água: "Sobrevoamos a região e não vimos o mar de lama. Em Colatina a água está avermelhada. O piloto que nos levou até o local, sobrevoou o Rio na tarde de ontem e nos informou que é possível notar o aumento da vermelhidão e da sujeira. Vamos aguardar e esperar que o impacto seja menor do que o esperado", contou.

A onda já passou pelo Rio Gualaxo do Norte, pelo Rio do Carmo e agora está se deslocando ao longo da calha do Rio Doce. A previsão é de que nesta quarta-feira (11) chegue a Linhares. Segundo o Sistema de Alerta de Eventos Críticos (Sace), vinculado ao Serviço Geológico do Brasil, a onda de lama não causará enchentes nos municípios que estão localizados às margens do Rio Doce.

De acordo com a Prefeitura de Colatina, testes estão sendo realizados constantemente, confirmando a qualidade da água, razão pela qual ainda não foram suspensos os abastecimentos.

Ainda segundo dados do CPRM, o pico de passagem de água com maior turbidez (lama) está previsto entre o dia 14 para o dia 15. A velocidade desta massa de água está sendo atualizada constantemente e pode alterar ao longo do deslocamento até a chegada à foz do rio Doce. 

A lama é resultado do rompimento de duas barreiras de contenção de rejeitos da mineradora Samarco, que ocorreu na última quinta-feira (5) na região de Mariana (MG). O acidente destruiu o distrito de Bento Rodrigues, na zona rural do município.

Segundo o Corpo de Bombeiros, quatro mortes foram confirmadas e mais dois corpos passam por análise. Há 24 pessoas desaparecidas e mais de 600 pessoas estão desabrigadas e alojadas no ginásio da cidade e em hotéis. Os sobreviventes estão recebendo donativos, apoio médico, medicação e água. Segundo a prefeitura, mais 200 pessoas estão em casas de parentes.

O Serviço Geológico do Brasil faz o monitoramento contínuo da Bacia do Rio Doce, que abrange diversos municípios do leste de Minas Gerais e do Espírito Santo, para acompanhar a evolução da onda de lama provocada pelo rompimento das barragens. O sistema tem como objetivo alertar 15 municípios da bacia quanto ao risco de ocorrência de enchentes, sendo 12 em Minas Gerais e três no Espírito Santo.

(Com informações da Agência Brasil)