Presidente das Maldivas decreta estado de emergência

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Presidente das Maldivas decreta estado de emergência

Redação Folha Vitória

Malé - O presidente das Maldivas, Yameen Abdul Gayoom, decretou estado de emergência nesta quarta-feira, o que restringe direitos dos cidadãos do país durante 30 dias. A medida é adotada depois da explosão do barco presidencial e da descoberta de uma bomba caseira e de um depósito de armas perto da residência do líder.

O procurador-geral, Mohamed Anil, disse que o presidente tomou a decisão para garantir a segurança pública. "Os militares e a polícia encontraram armas e um explosivo em dois locais em suas operações. Como isso seria uma ameaça às pessoas e à nação, o Conselho de Segurança Nacional aconselhou a adoção de medidas imediatas para proteger o povo das Maldivas", afirmou Anil.

No âmbito do estado de emergência, os militares e a polícia podem entrar e fazer buscas em casas sem mandado e prender suspeitos sem dar explicações. Os cidadãos não podem fazer protestos nem greves trabalhistas e tampouco viajar entre as várias ilhas do país.

A novidade atrapalha os planos do principal partido de oposição, o Partido Democrático das Maldivas, de realizar uma grande manifestação na sexta-feira para exigir a libertação de seu líder, o ex-presidente Mohamed Nasheed. Em geral, muitas pessoas saem de suas ilhas para viajar à capital, Malé, para participar dos protestos.

As Maldivas vivem um período tenso desde a explosão em 28 de setembro do barco do presidente, que estava na embarcação mas saiu ileso. Depois disso, houve a prisão de vários suspeitos, entre eles o vice-presidente Ahmed Adeeb, por suposto envolvimento no atentado. O governo qualificou o caso como uma tentativa de homicídio contra Gayoom.

Os Estados Unidos, que enviaram agentes do FBI para investigar o caso, disseram que não havia evidência de que a explosão foi causada por uma bomba.

Mais conhecidas pelos seus resorts e pelas praias, as Maldivas tiveram uma transição difícil para a democracia, após realizarem suas primeiras eleições multipartidárias em 2008. Com a votação, foi encerrado um período de 30 anos de regime autocrático liderado por um meio-irmão de Gayoom.

Nasheed, o primeiro líder democraticamente eleito do país, renunciou após protestos contra a decisão dele de prender um graduado juiz em 2012. No ano seguinte, Gayoom derrotou Nasheed em uma eleição disputada, na qual a Suprema Corte anulou os resultados do primeiro turno, quando Nasheed estava à frente. Os magistrados atrasaram a nova votação até que Gayoom tivesse conseguido negociar uma coalizão com outros partidos.

Agora, Nasheed cumpre pena de 13 anos de prisão, após ser condenado no âmbito da lei antiterrorismo por seu papel na prisão do magistrado. O julgamento foi bastante criticado, por sua aparente falta de respeito ao devido processo legal. Fonte: Associated Press.