Pandemia: um em cada quatro moradores de rua do ES testa positivo para o novo coronavírus

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Pandemia: um em cada quatro moradores de rua do ES testa positivo para o novo coronavírus

Segundo a Sesa, mais de 3,5 mil testes foram feitos nessa população. Desse total, 1.026 pessoas em situação de rua foram diagnosticadas com a covid-19

Foto: TV Vitória

Muitas vezes invisíveis para grande parte da sociedade, os moradores de rua também aparecem nas estatísticas da covid-19 no Espírito Santo. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), mais de 3,5 mil testes foram feitos nessa população. Desse total, 1.026 pessoas em situação de rua testaram positivo para o novo coronavírus. Isso significa que, a cada quatro casos suspeitos, um confirmou ter a doença.

Uma das pessoas em situação de rua que testaram positivo para a covid-19 no estado foi Fabiano Bezerra da Silva, de 40 anos. Natural de Pernambuco, ele atualmente vive em Vitória. Algumas vezes, dorme em um abrigo e, em outras, fica nas ruas. 

Ele conta que saiu de casa ainda criança, aos 11 anos de idade. Diz que já passou por muita coisa na vida, mas que a pandemia tem sido uma das piores experiências. Fabiano diz que, por sorte, não apresentou nenhum sintoma da covid-19, diferentemente do que aconteceu com outros colegas. "Teve gente que pegou, passou mal, ficou bom, foi para o hospital, ficou entubado. Muitos amigos meus. Mas em mim não deu nada", relata.

Até está sexta-feira (27), o Painel Covid-19, da Sesa, registrava 25 óbitos entre moradores de rua em todo o Espírito Santo. De acordo com especialistas, o fato de essas pessoas viverem nas ruas torna ainda mais difícil manter os protocolos de higiene recomendados pelas autoridades.

"Com o aumento do número de casos de covid, tem-se visto que também entre os moradores de rua tem aumentado a infecção, inclusive com internações e óbitos. É uma população mais vulnerável e que também está sem máscara", destacou a médica infectologista Euzanete Coser.

De acordo com a especialista, os moradores de rua estão tão ou mais expostos à pandemia do que o restante da população. "É importante que cada pessoa que veja algum morador que esteja em sinais de tosse e febre, que seja relatado a alguma autoridade sanitária, para que eles possam ser recolhidos e tratados", ressaltou.

Para as prefeituras, fazer o acompanhamento desse público tem sido um desafio ainda maior durante a pandemia. Na Grande Vitória, a Prefeitura de Vila Velha informou que monitora a população de rua e que, até hoje, identificou somente uma pessoa com sintomas, que foi medicada. Em Cariacica, ainda não houve registro de infectados identificados pela administração municipal. 

A Prefeitura de Serra disse que oferece todo o acompanhamento necessário a essas pessoas, em cinco abrigos municipais. Já a Prefeitura de Vitória informou que tem uma equipe exclusiva para orientar, oferecer apoio e encaminhar casos suspeitos para atendimento médico.

ONG's e entidades religiosas também colaboram na assistência a essas pessoas. A assistente social Jessika Souza, que atua em Vila Velha, fala do desafio de levar ajuda material e um pouco de esperança para quem vive na rua.

"Além do alimento e de roupas, que nós sempre levamos, nós também estamos levando kits de higiene e máscaras. Nós fazemos esse trabalho de conversar com eles, de orientá-los sobre os cuidados com a higiene e o distanciamento. E o que mais me preocupa, não só a mim, mas como todo o grupo, é a questão do compartilhamento de objetos. Então, estamos nesse papel de orientação", frisou.

Com informações do repórter Alex Pandini, da TV Vitória/Record TV