Liga Árabe pede o reconhecimento do Estado Palestino após decisão dos EUA

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Liga Árabe pede o reconhecimento do Estado Palestino após decisão dos EUA

Redação Folha Vitória

São Paulo - Ministros de Relações Exteriores dos Estados-membros da Liga Árabe condenaram hoje, em reunião de emergência no Cairo, a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de considerar Jerusalém a capital de Israel.

Representantes de países como Arábia Saudita, Egito, Iraque, Jordânia, Kwait, Marrocos, Catar e Líbia pediram para as nações de todo o mundo reconheçam o Estado Palestino, com Jerusalém Ocidental como sua capital, em resposta à postura de Trump.

O chefe da Liga Árabe, Ahmed Aboul-Gheit, e o ministro de Relações Exteriores da Palestina, Riyad Al-Maliki disseram que a decisão de Trump levanta dúvidas sobre o papel de Washington como mediador da paz e de todo o mundo.

"A decisão equivale à legalização da ocupação", disse Aboul-Gheit, referindo-se à ocupação e posterior anexação de Jerusalém Ocidental pelos israelenses na Guerra do Oriente Médio, de 1967.

Al-Maliki pediu para que a liga instrua seus enviados na Organização das Nações Unidas (ONU) a apresentarem uma resolução para que o Conselho de Segurança condene a decisão de Trump. Ele disse que a decisão de Trump mostra a hostilidade e viés contra o povo palestino por parte do americano.

A reunião acontece enquanto protestos pró-Palestina e contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ocupam as ruas de Roma, Paris, Tel-Aviv, Faixa da Gaza e Cisjordânia. Na capital egípcia, o líder da maior igreja cristã do país anunciou o cancelamento de um encontro com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, marcada para o fim do mês. O mais alto clérigo muçulmano do Egito já havia feito o mesmo.

O anúncio de Trump sobre Jerusalém, bem como sua intenção de mudar a embaixada americana de Israel para lá, desencadeou ondas de denúncias em todo o mundo, mesmo entre aliados mais próximos dos americanos sugerindo que Trump incitou de maneira desnecessária o conflito em uma região que já é instável.

O status da cidade está no centro do conflito entre israelenses e palestinos e a decisão de Trump é vista como amplamente favorável aos israelenses. Os conflitos sobre o status de Jerusalém, bem como de seus locais sagrados, já foram causas de revoltas sangrentas no passado. (Matheus Maderal, com informações da Associated Press - [email protected])