
Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros avaliou os efeitos do uso de óleo de canabidiol (CBD) em crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A pesquisa foi conduzida por equipes ligadas à Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e acompanhou os participantes por um período aproximado de 24 semanas.
O trabalho analisou crianças e adolescentes com idades entre 2 e 15 anos que utilizaram óleo de canabidiol com alta concentração de CBD e baixo teor de tetrahidrocanabinol (THC). A avaliação foi baseada em questionários aplicados aos responsáveis e em observações clínicas relacionadas a aspectos comportamentais, como interação social, comunicação, atenção e níveis de agitação.
Resultados do Estudo com Canabidiol
De acordo com os resultados apresentados, parte dos participantes apresentou mudanças relacionadas à sociabilidade, incluindo maior interação com outras pessoas e redução de comportamentos associados à agitação psicomotora. O estudo também registrou alterações em padrões de sono e atenção. Em alguns casos, os responsáveis relataram a diminuição do uso de medicamentos convencionalmente prescritos para o TEA, sempre sob orientação médica.
Os pesquisadores informam que os efeitos adversos observados foram, em sua maioria, leves, como aumento do apetite e episódios pontuais de irritabilidade. Não foram relatados efeitos graves associados ao uso do canabidiol durante o período analisado, segundo os dados coletados.
Limitações e Próximos Passos
Os autores destacam que o estudo apresenta limitações, como o número de participantes e a ausência de grupo de controle, o que impede generalizações amplas dos resultados. Eles ressaltam a necessidade de novos estudos, especialmente ensaios clínicos randomizados e com maior amostragem, para avaliar com maior precisão a eficácia e a segurança do canabidiol no tratamento de pessoas com TEA.
A pesquisa se soma a outras investigações em andamento no Brasil e no exterior sobre o uso terapêutico do canabidiol em condições neurológicas e do neurodesenvolvimento. O tema permanece em debate no meio científico e regulatório, com estudos ainda em curso para embasar decisões clínicas e políticas públicas.