
Um paciente que ficou conhecido como “Canibal“, que viveu durante anos internado na Unidade de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (UCTP), antigo Manicômio Judiciário, foi solto e está vivendo com a família na zona rural do Espírito Santo.
Segundo informações fornecidas pela Coordenadoria das Varas Criminais e de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), o homem, que já é idoso, deixou a UCTP no final do primeiro semestre deste ano, “mediante decisão judicial que cessou sua periculosidade, submetendo ele a tratamento ambulatorial pelas secretarias estadual e municipal de saúde, sendo então reinserido ao seu território e restituído ao seu lar familiar.”
A nota enviada afirma, ainda, que o paciente vem sendo acompanhado por uma equipe multidisciplinar da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e está sendo medicado regularmente e apresentando evolução clínica favorável, sem oferecer riscos à
sociedade.
Prazo para fechamento acaba, mas unidade ainda funciona
A decisão de fechamento da UCTP, localizada em Cariacica, faz parte das ações da Política Antimanicomial, instituída pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023.
O cronograma seguido pela Sesa previa desinternação de todos os pacientes da unidade até a última quarta-feira (26), mas o TJES informou, nesta sexta (28), que a UCTP segue em funcionamento e que vai oficiar o CNJ sobre a situação.
Na última segunda (24), a Sesa informou que havia, ainda, 22 pacientes internados e que o processo de desativação da UCTP segue o cronograma pactuado com a Secretaria da Justiça (Sejus) e a Secretaria de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades), em alinhamento com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e as diretrizes da Resolução nº 487/2023, atualizada pela Resolução nº 572/2024.
Segundo a última atualização da secretaria, desde 28 de maio de 2025, a unidade não recebe novos internos. “Todos os pacientes permanecerão em acompanhamento na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) em seus territórios, independentemente do acolhimento familiar ou se inseridos em um Serviço Residencial Terapêutico (SRT) ou Residência Inclusiva (RI)”, detalhou a nota enviada pela Sesa.
O TJES informou que cerca de 10 pacientes seguem internados no local. Após o fechamento da UCTP, as instalações físicas devem ser transformadas em um presídio semiaberto.