
Entre os dias 11 de dezembro e 11 de janeiro, o município de Itaguaçu, na região serrana do Espírito Santo, recebeu o Projeto Clube de Observadores da Natureza, do Instituto Últimos Refúgios.
Com apenas 18 registros de biodiversidade no início da ação, a cidade saltou para mais de 176 espécies documentadas por meio da plataforma global de ciência cidadã iNaturalist. Essa mudança foi possível graças a um esforço coletivo, que mobilizou crianças, escolas e a comunidade local.
A ação começou com o lançamento oficial do Desafio de Observação da Natureza de Itaguaçu, no qual foi feito um convite aberto à população para explorar, fotografar e registrar as espécies de plantas, animais, fungos e outros seres vivos do território municipal. A proposta: colocar Itaguaçu no mapa da biodiversidade e mostrar o valor natural que o município abriga.

A primeira saída de campo
Para marcar o início da iniciativa, estudantes da escola estadual local, integrantes do recém-criado Clube de Observadores da Natureza Sabiá, participaram de uma expedição à RPPN Garibus, onde foram recebidos por Helga Bleyer, responsável pela reserva. Durante a visita guiada, as crianças registraram aves, insetos, árvores centenárias e outras espécies típicas da Mata Atlântica.
Muitos dos alunos tiveram ali seu primeiro contato mais direto com a observação da natureza, usando binóculos, câmeras e blocos de anotação para identificar e compreender o que viam. O entusiasmo das crianças nos deixou muito felizes. Só isso já nos bastaria.

Os números
Ao longo de 30 dias, foram feitas 277 observações por 20 observadores locais, com o apoio de 124 especialistas do mundo inteiro, que ajudaram a identificar as espécies registradas. O desafio teve cobertura no território municipal, com pontos de observação distribuídos em toda a extensão de Itaguaçu.

As seis espécies mais observadas foram:
- Coruja-buraqueira (Athene cunicularia)
- Rolinha fogo-apagou (Columbina squammata)
- Guaxe (Cacicus haemorrhous)
- Garibaldi (Chrysomus ruficapillus)
- Aracuã-de-barriga-branca (Ortalis araucuan)
- Buri, antigo palmito-amargoso (Allagoptera caudescens)
A diversidade registrada por grupo biológico também chama atenção:
- 59 espécies de aves;
- 62 espécies de plantas;
- 26 espécies de insetos;
- 13 espécies de mamíferos;
- 6 espécies de répteis;
- 6 espécies de aracnídeos;
- 1 espécie de anfíbio;
- 3 espécies de fungos.
Entre os principais observadores do desafio, destacam-se Leonardo Merçon, Rogério Truglio, Miriam Loss, Patrícia Binda, Pedro Alves e Brenna Cristina.

A todos, nosso mais profundo agradecimento por doarem seu olhar, seu tempo e sua dedicação à natureza de Itaguaçu.
Projeto piloto
O Desafio de Itaguaçu foi uma iniciativa piloto que agora abre caminhos para ser replicada em outros municípios capixabas com poucos registros de biodiversidade. Ao conectar escolas, crianças e suas comunidades com ferramentas de ciência cidadã, mostramos que conservar também é educar, e que a valorização da natureza começa com o reconhecimento do que existe ao nosso redor.
Chancelas e apoios
Este projeto foi realizado pelo Instituto Últimos Refúgios, com o apoio do Instituto Unimed Vitória, ComproCard, e em parceria com a Prefeitura de Itaguaçu, por meio da Secretaria de Meio Ambiente de Itaguaçu e Secretaria de Educação e Cultura de Itaguaçu, com as escolas locais (em especial a EMEIEF Pedro Thomazini) e o Clube de Observadores da Natureza Sabiá, a RPPN Garibus, e o PAT Capixaba-Gerais (Plano de Ação Territorial para Espécies Ameaçadas fora de Unidades de Conservação, coordenado pelo IEMA).
Contamos com o apoio da comunidade, de educadores, pesquisadores e observadores da natureza do Espírito Santo e de outras regiões, unidos pelo desejo de construir um futuro onde as novas gerações possam conhecer e proteger a biodiversidade de seus territórios.
