Foto: Reprodução/Redes sociais
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Um fenômeno bastante brilhoso foi visto nos mares de Vitória nos últimos dias. A bioluminescente faz com que a água brilhe em tom azulado ao ser agitada pelos banhistas. O evento pode parecer mágico, mas é pura biologia.

No sábado (10), a nutricionista Lara Soncim, de 37 anos, fez um passeio de canoa e presenciou o momento inesperado. Segundo ela, foi a primeira vez que ela teve contato com esse tipo de fenômeno e ficou encantada por presenciar como a água mudava de cor com o movimento dos remos ou das mãos.

“É um azul esverdeado bem fluorescente, que surge com o movimento, como se a água estivesse brilhando no fundo. Parecia algo vivo, muito especial.”

O que é o fenômeno bioluminescente?

O biólogo mestre em Biologia Animal, Daniel Motta, explicou que a proteína luciferina está presente em todos os seres vivos bioluminescentes, por exemplo, o vaga-lume. O fenômeno acontece quando uma enzima, a luciferase, reage com a proteína luciferina, com o oxigênio e com a molécula ATP – que garante a liberação de energia para as células dos seres vivos.

Os organismos responsáveis por esse “brilho” são as microalgas, chamadas de dinoflagelados. A partir da perturbação da água por ondas, natação ou remadas, os dinoflagelados emitem luz como resposta para afugentar possíveis perigos, como predadores.

Segundo o biólogo, existem alguns fatores que favorecem a manifestação desses organismos, como: o aumento de nutrientes na água, principalmente fósforo e nitrogênio, provenientes do lançamento de esgoto sem tratamento na região; dias longos sem chuva; e aumento da temperatura da água.

Ele destaca que esses fenômenos variam de tempo de permanência, porém são mais comuns no verão ou em dias prolongados sem chuva, devido a continuidade do lançamento de esgoto e aumento da temperatura da água.

Biólogo adverte para perigo à saúde

O biólogo Daniel Motta adverte que esse fenômeno, apesar de ser bonito, é danoso para a natureza e para os seres humanos. Isso porque os dinoflagelados podem produzir toxinas que inibem o crescimento e a reprodução de outros organismos aquáticos, além de poderem causar problemas à saúde humana.

“Algumas espécies podem produzir uma neurotoxina chamada saxitoxina, que afeta o sistema neural, causando desde uma paralisia ou até a morte, dependendo da concentração disponível na água”.

O biólogo também destaca que as áreas onde esses organismos estão são impróprias para banho, então a recomendação para banhistas e moradores é não entrar na água.

Este fenômeno bioluminescente é a forma mais linda de dizer que a água está imprópria para banho.

Daniel Motta, biólogo.
Veja o vídeo do fenômeno

*Texto sob supervisão do editor Leone Oliveira

Ana Piontkowski *

Estagiária

Graduanda em jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e estagiária do Jornal Folha Vitória.

Graduanda em jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e estagiária do Jornal Folha Vitória.