Uma tartaruga-verde (Chelonia mydas) de mais de 200 quilos foi resgatada nesta sexta-feira (22), na Praia de Capuba, em Jacaraípe, na Serra. O resgate foi realizado pelo Instituto de Pequisa e Reabilitação de Animais Marinhos (Ipram) e o Instituto Brasileiro de Fauna e Flora (Ibraff), que foi acionado por banhistas que estavam na praia e que encontraram o animal encalhado.
O biólogo do instituto, Wilson Meirelles, explicou que o animal é um macho, o que já acendeu alerta dos profissionais. Isso acontece porque machos da espécie não retornam à praia, esta característica é apenas das fêmeas e acontece somente durante o período de desova, que acontece em ilhas oceânicas, como a Ilha de Trindade, localizada a cerca de 1.200 quilômetros da Costa de Vitória.
“É um animal que certamente está debilitado, tinha lesões que representam essa debilidade. Não é possível precisar a idade, mas sabemos que tem mais de 20 anos, provavelmente entre 20 e 30, pois já é um animal adulto, e aos 20 anos atingem a maturidade sexual”, explicou.
O resgate do animal aconteceu por meio do Programa de Monitoramento de Praias, realizado pelo Ipram, que monitora as praias da Serra, Fundão e Aracruz. Ele explica que o programa é cumprido pela Petrobras, em atendimento a licenciamento ambiental em nível federal.
A tartaruga foi levada para o Ipram, onde passou por exames como radiografia e coleta de sangue, para determinar o motivo do encalhe.
Espécie aparece em todo o litoral capixaba
Segundo o especialista, o animal, que é a segunda maior espécie de tartaruga marinha do mundo, aparece praticamente em todo o litoral do Espírito Santo.
Isso acontece porque enquanto são jovens, as tartarugas são majoritariamente herbívoras e no litoral capixaba há rochas que propiciam a fixação de algas, que serve de alimento para os animais.
Atualmente, acontece o período de reprodução das tartarugas-cabeçudas, que se estende de dezembro a abril, mas não acontece o mesmo com a tartaruga-verde, cuja reprodução acontece em alto-mar.
População auxiliou no resgate
Segundo Claudiney Rocha, do Ibraff, a população precisou auxiliar no manejo e transporte da tartaruga, uma vez que se tratava de um animal de grande porte.
Segundo ele, alguns sinais também demonstravam que a tartaruga estava debilitada, como o fato de que não estava se mexendo. Ela tinha, inclusive, dificuldades para mergulhar ou tentar voltar para o mar.
“Por se tratar de um animal muito grande, precisamos de muita ajuda. Muitos banhistas nos ajudaram. Quando toquei no animal, percebi que não estava fundeando, mergulhando. Apesar de ter uma poça por perto, ela ficava apenas flutuando”, contou.
O animal segue internado no Ipram, onde passa por tratamento e reabilitação para eventualmente voltar ao mar.