
A produção de petróleo no Espírito Santo voltou a crescer em 2025 após um período prolongado de queda. O volume extraído em terra e no mar alcançou 70,4 milhões de barris, ante 56,7 milhões no ano anterior, uma alta de aproximadamente 24%.
É o maior patamar desde 2021, quando a produção somou 76,8 milhões de barris, mas ainda muito distante dos níveis observados na década passada.
Mesmo com a recuperação, o desempenho permanece abaixo do chamado período de ouro da indústria petrolífera capixaba. Em 2010, o estado registrou 284 milhões de barris, o maior volume da série histórica.
Entre 2011 e 2019, a produção se manteve de forma consistente acima de 100 milhões de barris por ano, antes de entrar em trajetória de queda mais acentuada em 2019.
No gás natural, o avanço foi ainda mais expressivo. A produção cresceu 45,5% em 2025, chegando a 3,42 milhões de barris equivalentes. O volume está alinhado ao observado desde 2022, mas segue abaixo dos patamares registrados entre 2014 e 2021, quando a produção anual oscilava entre 5 milhões e 6 milhões de barris.
Com esse desempenho, o Espírito Santo retomou em 2025 a posição de segundo maior produtor de petróleo do país, atrás apenas do Rio de Janeiro.
A última vez em que o estado havia ocupado a vice-liderança foi em 2019, ano em que a produção local começou a cair de forma mais relevante e acabou sendo superada por São Paulo nos anos seguintes.

Por que a produção voltou a subir após anos de queda?
O principal vetor do crescimento em 2025 foi o desempenho do campo de Jubarte, no litoral capixaba, que registrou produção superior à dos anos anteriores.
A plataforma P-58, da Petrobras, que faz parte do campo de Jubarte, voltou a registrar produção mensal superior a 100 mil barris de óleo equivalente por dia em dezembro, maior volume desde agosto de 2023.
Outra plataforma do mesmo campo, a FPSO Maria Quitéria, que entrou em operação em 2024, teve sua produção ampliada ao longo de 2025, com a interligação de novos poços e o ramp-up da produção.
Essa trajetória gera expectativas sobre a retomada de uma produção cada vez maior, afinal, maior produção significa mais arrecadação para o estado e municípios, mais empregos diretos e fomento da cadeia de fornecedores do óleo e gás.
Entre 2010 e 2019, a produção capixaba se beneficiou do estágio relativamente jovem dos principais campos offshore do Parque das Baleias, que operavam próximos à sua capacidade ótima, em um momento em que a Petrobras concentrava investimentos na Bacia de Campos (que se estende até o sul do ES).
A partir de 2019, o declínio natural desses campos maduros e a realocação de capital para o pré-sal da Bacia de Santos reduziram o número de poços e de unidades dedicadas ao Espírito Santo.
Apesar de a produção permanecer abaixo do pico histórico, novos aportes devem ajudar na retomada. Até 2030, o Estado deve receber R$ 44,2 bilhões em investimentos no setor de petróleo e gás, segundo a Findes.