Foto: Fabrício Silva
Foto: Fabrício Silva

A intensificação de um ciclone bomba na Costa Leste dos Estados Unidos tem provocado nevascas intensas, mortes, frio extremo e paralisação de serviços, além de reflexos diretos no abastecimento de supermercados. O capixaba de Vitória, Fabrício Silva, que está no país, relata prateleiras vazias, fechamento do comércio e alertas constantes das autoridades para que a população evite sair de casa.

O gerente comercial, de 53 anos, está em Boston com a esposa, Luciana Rizzo, e a filha, Ana Carolina Rizzo. Segundo ele, os primeiros avisos sobre a tempestade começaram a ser emitidos logo após sua chegada, no dia 21 de janeiro. Já no dia 22, ele recebeu os alertas de ameaças de nevascas, que se intensificaram rapidamente.

No domingo(25), a previsão se confirmou. De acordo com o capixaba, o acúmulo de neve chegou a cerca de um metro a um metro e meio em algumas áreas, dificultando completamente a circulação de pessoas e veículos.

O acúmulo de neve chegou a cerca de um metro a um metro e meio em algumas áreas. Foto: Fabrício Silva

Supermercados com prateleiras vazias

O impacto da tempestade também foi sentido no abastecimento. Fabrício relata que encontrou falta principalmente de água e alimentos de preparo rápido, com diversas prateleiras vazias, mesmo em supermercados de grande porte.

Segundo ele, o cenário não foi provocado por pânico, mas por orientação direta das autoridades locais, veiculada de forma contínua em rádios e comunicados oficiais. A recomendação era clara: estocar alimentos e se preparar para permanecer em casa, sem previsão exata de normalização.

Orientação oficial na rádio direto, tanto da governadora quanto das pessoas no geral, toda hora dando esse alerta: ‘Se preparem para isso, se preparem para isso. A gente não sabe quanto tempo’.

Fabrício Silva, gerente comercial
A recomendação das autoridades de estocar alimentos e se preparar para permanecer em casa, deixou prateleiras de supermercados vazias. Foto: Fabrício Silva

Cidade paralisada e frio extremo

Ainda segundo Fabrício, entre domingo (25) e terça-feira (27), a rotina em Boston ficou praticamente suspensa. Lojas permaneceram fechadas, incluindo grandes redes do varejo, que só retomaram as atividades dias depois.

O deslocamento pelas ruas ficou restrito, tanto pelas condições das vias quanto pelas orientações oficiais.

As temperaturas também chamaram atenção. Nesta semana, os termômetros marcaram –15 °C, agravando o risco para quem precisa sair de casa.

Impacto em voos e transporte

Além do comércio, o sistema de transporte foi fortemente afetado. O cancelamento de milhares de voos em diferentes aeroportos da Costa Leste, reflexo direto da nevasca, dos ventos intensos e da baixa visibilidade.

Fabrício afirma que acompanha com atenção a previsão do tempo, já que o retorno da família ao Brasil está previsto para 6 de fevereiro, mas pode ser impactado caso novas nevascas se confirmem. O gerente comercial teme ter o vôo cancelado.

Ana Carolina Rizzo, Luciana Rizzo e Fabrício Silva. Foto: Acervo pessoal

Nova nevasca no radar

Meteorologistas alertam para a formação de um novo ciclone bomba, que deve ganhar força rapidamente sobre o oceano e avançar novamente pela Costa Leste dos EUA já neste fim de semana.

Segundo a Metsul Meteorologia, o ciclone tem potencial para provocar outra rodada de neve intensa, ventos fortes e frio extremo em regiões que ainda se recuperam da tempestade recente.

De acordo com a Metsul, o fenômeno deve se intensificar rapidamente sobre o oceano, característica típica do ciclone bomba, quando há queda acentuada da pressão atmosférica em menos de 24 horas. Esse processo favorece tempestades mais organizadas e com maior capacidade de causar impactos em curto espaço de tempo.

Os primeiros efeitos são esperados a partir do fim de semana, com a neve se espalhando por áreas do sul dos Apalaches, alcançando estados como Carolina do Norte e Virgínia, antes de avançar para regiões mais ao norte.

Com o deslocamento do sistema, a tendência é de intensificação da neve na Nova Inglaterra, incluindo Massachusetts, onde fica a cidade de Boston.

Em alguns pontos, os acumulados de neve podem variar entre 15 e 30 centímetros, com possibilidade de volumes maiores de forma localizada.

As temperaturas persistentemente baixas favorecem a permanência da neve no solo, dificultando a limpeza de ruas, rodovias e calçadas, além de prolongar os transtornos à mobilidade urbana.

A Metsul informa ainda que outro fator de preocupação são os ventos intensos, que podem reduzir drasticamente a visibilidade, criando condições de nevasca, além de provocar quedas de árvores, danos na rede elétrica e interrupções no fornecimento de energia.

Em áreas costeiras, há ainda risco de alagamentos provocados pela elevação do nível do mar, impulsionada por ventos fortes e mar agitado.

*Texto sob a supervisão da editora Erika Santos

Laura Mel*

Estagiária

Graduanda em jornalismo pela Estácio e estagiária do Jornal Folha Vitória.

Graduanda em jornalismo pela Estácio e estagiária do Jornal Folha Vitória.