Bandeira de Portugal
Bandeira de Portugal. Foto: Canva

Seguindo o movimento de restrição migratória observado em países da União Europeia, como Itália e Espanha, Portugal aprovou em 2025 mudanças significativas na Lei dos Estrangeiros e na Lei da Nacionalidade Portuguesa. O endurecimento impacta diretamente brasileiros que buscam cidadania por tempo de residência, descendência ou vínculo familiar.

As novas regras ampliam exigências e elevam o tempo de residência necessário para requerer a nacionalidade, mas a intervenção do Tribunal Constitucional, que considerou parte do texto inconstitucional, acabou suspendendo a conclusão do processo e devolvendo a proposta ao Parlamento para revisão.

O freio jurídico criou uma janela temporária que beneficia quem pretende protocolar o pedido ainda sob a legislação atual.

Revisão legislativa em curso

Com o veto, o texto retornou ao Parlamento pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa. A revisão é considerada de ajuste, o que significa que, embora alguns dispositivos possam ser alterados, a base da proposta tende a ser mantida.

Segundo Laura Andreazza Seidl, coordenadora da Porto Cidadania Portuguesa, o momento exige atenção de quem tem direito pela lei vigente. “Recomendamos que aqueles que têm direito à cidadania portuguesa deem início ao processo o quanto antes”, alerta.

A especialista explica que protocolar agora garante análise pela legislação atual, evitando enfrentar as novas barreiras quando a lei entrar em vigor. “Começando o processo agora, ainda existe a chance de ter o protocolo antes da aprovação e entrada definitiva das novas medidas”, afirma.

O que muda para os brasileiros?

Mesmo com ajustes pendentes, os principais pontos já estão consolidados:

• Tempo de residência aumenta:
– Brasileiros e demais cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP passam de exigência atual para sete anos de residência;
– Para outras nacionalidades, o prazo sobe para dez anos, o dobro do requerido atualmente.

• Netos de portugueses terão mais exigências:
A concessão deixa de ser automática mediante comprovação documental e passa a exigir “laços efetivos” com o país. As exigências incluem:
– conhecimento de cultura e história de Portugal,
– familiaridade com símbolos nacionais,
– não apresentar riscos à segurança nacional.

Segundo Seidl, o idioma não será um obstáculo para brasileiros, mas a forma como os testes e comprovações serão realizados ainda não está definida. “Não há definição sobre o formato do teste de cultura e história”, observa.

Impacto segue tendência europeia

A política portuguesa acompanha uma onda de contenção migratória que se expande pela Europa, motivada por pressões econômicas, demográficas e securitárias. A mudança afeta especialmente países que, como Portugal, tiveram crescimento populacional recente ancorado na imigração.

A expectativa é que a aprovação final ocorra no primeiro trimestre deste ano, após ajustes determinados pelo Tribunal Constitucional. Por isso, advogados e consultorias que atuam com nacionalidade e imigração recomendam agilizar a documentação e buscar orientação especializada.

A avaliação é que a brecha criada pelo veto pode durar pouco tempo, e que os pedidos protocolados antes da vigência da nova lei deverão ser analisados sob as regras antigas.

*Com informações do R7.com.

Carlos Raul Rodrigues, estagiário do Folha Vitória
Raul Rodrigues

Repórter

Jornalista em formação pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), atuou como estagiário no Jornal Folha Vitória entre 2023 e 2025. Atualmente atua como Produtor dos Jornais Cidade Alerta ES e do Jornal da TV Vitória e Repórter no Jornal Online Folha Vitória.

Jornalista em formação pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), atuou como estagiário no Jornal Folha Vitória entre 2023 e 2025. Atualmente atua como Produtor dos Jornais Cidade Alerta ES e do Jornal da TV Vitória e Repórter no Jornal Online Folha Vitória.