Donald Trump
Crédito: Isac Nóbrega/PR

O presidente Donald Trump voltou a fazer ameaças e afirmou que vai negociar para conseguir adquirir a Groenlândia “por bem ou por mal”. É ao menos a segunda vez somente nesta semana que o mandatário sugere o uso das forças armadas para anexar a ilha.

“Vamos fazer algo em relação à Groenlândia, por bem ou por mal”, disse Trump em uma reunião na Casa Branca com executivos de petróleo interessados em se beneficiar na Venezuela.

“Gostaria de fazer um acordo, sabe, da maneira fácil. Mas se não o fizermos da maneira fácil, faremos da maneira difícil”, disse Trump quando perguntado sobre a Groenlândia.

Trump diz que controlar a ilha rica em minerais é crucial para a segurança nacional dos EUA, dada a crescente atividade militar da Rússia e da China no Ártico.

“Não vamos permitir que a Rússia ou a China ocupem a Groenlândia. É isso que eles vão fazer se não agirmos. Então, vamos fazer algo em relação à Groenlândia, seja de uma maneira agradável ou de uma maneira mais difícil.”

Ambos os países aumentaram a atividade militar na região do Ártico nos últimos anos, mas nenhum deles reivindicou a vasta ilha gelada.

Nesta quinta, 8, a agência Reuters revelou que as autoridades dos Estados Unidos avaliam oferecer até US$ 100 mil por habitante da Groenlândia para convencê-los a se separar da Dinamarca e anexar a ilha aos EUA.

Segundo a agência, embora o valor exato e a logística de pagamento não estejam claros, autoridades americanas, incluindo assessores da Casa Branca, discutiram cifras que variam de US$ 10 mil a US$ 100 mil por pessoa. Autoridades em Copenhague e Nuuk já disseram que o território não está à venda.

A Dinamarca e outros aliados europeus expressaram choque com as ameaças de Trump de assumir o controle da Groenlândia, onde os Estados Unidos já possuem uma base militar.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou na segunda-feira, 5, que uma tomada de poder pelos Estados Unidos na Groenlândia equivaleria ao fim da aliança militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Trump fez pouco caso das preocupações da Dinamarca, um aliado que se juntou aos Estados Unidos na controversa invasão do Iraque em 2003. “Sou fã da Dinamarca, também, tenho que dizer. E você sabe, eles foram muito simpáticos comigo”, disse Trump.

“Mas sabe, o fato de eles terem um barco que aterrissou lá há 500 anos não significa que eles possuam a terra.”

O Secretário de Estado, Marco Rubio, deverá se reunir na próxima semana com o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca e representantes da Groenlândia.