
O DJ e radialista Luiz Cláudio Casado, conhecido carinhosamente como Casado, morreu neste sábado (3), aos 64 anos, causando comoção entre músicos, comunicadores e amantes do vinil no Espírito Santo. A morte foi comunicada pela Feira Capixaba do Vinil, da qual ele participou desde a primeira edição e se tornou um dos principais símbolos.
Apaixonado pelo disco de vinil, Casado construiu uma trajetória sólida no rádio e na divulgação musical. Atuou como DJ, radialista e divulgador artístico, sendo responsável por conectar artistas, gravadoras e emissoras, além de incentivar projetos independentes e fortalecer a cena cultural capixaba.
Em nota, a Feira Capixaba do Vinil destacou a importância do comunicador para a história do evento e da música no Estado. “Casado foi parte fundamental da nossa feira, presente em todas as edições, sempre com generosidade, seriedade e um imenso amor pela música. Sua memória seguirá girando como um bom disco, eternamente em nossos corações”, diz o comunicado.
Referência no rádio e na música
Serjão Nascimento, amigo de longa data, relembrou a convivência com Casado desde o início da carreira no rádio, há mais de 30 anos.
era um grande divulgador das rádios e dos artistas. Trabalhou para grandes mídias, sempre divulgando o casting das gravadoras. Eu o tratava como uma enciclopédia da música. Sabia tudo: histórias, artistas, estilos, rádio. Era um mestre, um professor.
Serjão Nascimento, locutor e cantor
Serjão também recorda a generosidade do amigo, que costumava presentear colegas de profissão com discos, pôsteres e materiais raros. “Ganhei dele a discografia inteira do Nirvana em CD, pôsteres de bandas nacionais e internacionais. Ele vivia mergulhado no universo musical.”
Incentivador da cena capixaba
O jornalista e músico Anderson Bacana, de 55 anos, também lamentou a perda e destacou o papel de Casado como incentivador cultural. Os dois se conheceram em 1988, na Rádio Universitária FM.
Ele sempre foi um grande incentivador do vinil e da música do Espírito Santo. Apoiou bandas, ideias, atitudes. Sempre lutou pelo que acreditava. O Espírito Santo perde um grande profissional e uma pessoa de valores.
Anderson Bacana, jornalista
Para Bacana, a morte de Casado representa uma perda profunda para o meio musical. “Para quem vive do rádio e da música, é uma perda enorme. Perdemos também um guardião de histórias, de memórias que fazem parte da cultura capixaba.”
Agitador da noite capixaba
Paulo Roberto Gomes de Almeida Júnior, de 55 anos, conhecido como DJ Paulinho, foi companheiro de longa data de Casado. Para ele, o radialista era mais do que um DJ e teve grande relevância para a cena de casas noturnas no Espírito Santo.
Paulinho descreve Casado como uma pessoa de personalidade forte. Ao lado dele, Paulinho fundou a “Conexão DJ”, que reunia nove DJs de casas noturnas diferentes para discutir como melhorar e lapidar o nível musical de quem arranhava discos naquela época.
“Nesta conexão tivemos os DJs Casado e Renato Verlhuit representado a rádio Antena1, Keko Sincler e Dedeco representando a Capital FM,eu representando a rádio Cidade Fm, Badu a rádio Tropical Fm, Monstrinho a BlowUp e os DJs Aires Diógenis e Josh, da discoteca Zoom. Perdemos alguém que foi muito relevante para o rádio e casas noturnas do Estado”, disse.
Luiz Cláudio Casado deixa um legado marcado pela paixão pela música, pela valorização do vinil e pela contribuição decisiva para a formação cultural de gerações no Espírito Santo. Sua ausência será sentida, mas sua história permanece viva na memória de quem aprendeu, trabalhou e compartilhou música ao seu lado.
Segundo informações de pessoas próximas, Casado teria sofrido um pico elevado de glicemia. O sepultamento eacontece no domingo (4) , às 10h, no Cemitério Jardim da Paz, na Serra.