Foto: Freepik
Foto: Freepik

A ciência costuma avançar em silêncio. É o caso das pesquisas experimentais com a polilaminina – uma substância que vem sendo estudada há 20 anos na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em parceria com um laboratório farmacêutico Cristália.

Produzida a partir de proteínas extraídas da placenta humana, a polilaminina contribui para a regeneração de neurônios danificados após uma lesão na medula, ou seja, ela pode ajudar pessoas a recuperarem movimentos.

E isso, sem dúvida alguma, é um marco na medicina regenerativa. Levantamentos da OMS, a Organização Mundial de Saúde, apontam que entre 250 mil e 500 mil pessoas por ano sofrem lesão na medula, com perda parcial ou total da sensibilidade e da função motora. Entre as causas principais estão acidentes de trânsito e quedas.

Portanto, se os resultados observados até agora se confirmarem, estaremos diante de uma mudança de paradigma, com impacto direto no tratamento de doenças hoje consideradas crônicas.

Não se trata de alarde precoce, mas de reconhecer quando os dados indicam que algo novo – e potencialmente transformador – está em curso.

Os estudos estão na fase 1, liberada pela Anvisa no início do ano. Nesse estágio, o objetivo é avaliar a segurança do uso do medicamento em um pequeno grupo de voluntários humanos.

Três dos pacientes que participaram dessa fase inicial são capixabas, o que mostra que o Espírito Santo está inserido em redes avançadas de pesquisa clínica, contribuindo para a produção de conhecimento.

As pesquisas com a polilaminina são um sinal claro de que avanços na área da saúde e, de maneira correlata, em diversas outras áreas, nascem de investimentos públicos e privados, método, tempo e colaboração. O rigor científico exige um passo de cada vez.