*Artigo escrito por Marcos Passos, coordenador de Desenvolvimento Humano e Social do Sistema OCBES
De forma genuína, o cooperativismo contribui para o desenvolvimento das comunidades onde está inserido. Desde sua origem, o modelo de negócio compreende que sua atuação ultrapassa o campo econômico, reconhecendo que a prosperidade envolve também aspectos sociais e sustentáveis.
Por isso, o cuidado com as pessoas e com o desenvolvimento das localidades está no DNA do cooperativismo.
Essa atuação comprometida com o bem-estar coletivo não é pontual nem acidental. Ao contrário, trata-se de um dos sete princípios basilares que norteiam as cooperativas em todo o mundo: o Interesse pela Comunidade. Esse compromisso é permanente e intencional, refletindo na natureza humana e justa do cooperativismo.
Acredito que esse lado social e humano, somado aos resultados econômicos expressivos, seja um dos fatores que tornam o cooperativismo reconhecido e respeitado globalmente – a exemplo deste ano, declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional das Cooperativas.
Diferente de empresas que adotam práticas de responsabilidade social e ambiental apenas por exigência do mercado, as cooperativas fazem isso com propósito. É por isso que dizemos que o cooperativismo é um jeito diferente de fazer negócios: mais humano, justo e conectado com as necessidades reais das pessoas.
Um exemplo dessa atuação com propósito é o Dia de Cooperar, conhecido como Dia C, a maior rede de solidariedade e voluntariado do cooperativismo brasileiro. Essa iniciativa surgiu em 2009, fruto de uma idealização da entidade que representa as cooperativas do estado de Minas Gerais, o Sistema Ocemg. Em 2014, a ideia já estava sendo replicada em todos os estados do país.
O Dia de Cooperar é um programa que une, incentiva e dá visibilidade às ações de impacto socioambiental das cooperativas brasileiras. As ações são definidas e executadas pelas próprias cooperativas durante o ano todo, demonstrando perenidade e constância.
Além das iniciativas contínuas, as cooperativas também promovem um evento anual para celebrar o Dia C. A partir deste ano, a celebração será realizada no último sábado de agosto, em alinhamento com o Dia Nacional do Voluntariado – uma mudança estratégica que busca ampliar a visibilidade da rede de voluntariado cooperativista.
No Espírito Santo, o espírito de cooperação está mais vivo do que nunca. Neste final de semana, de norte a sul do estado, cooperativas estão promovendo ações que gerem bem-estar social por meio da oferta de serviços gratuitos nas áreas de lazer, saúde, esporte, educação, cidadania e muito mais.
Os números consolidados do último ano impressionam: em 2024, as ações do Dia de Cooperar no Espírito Santo beneficiaram mais de 103 mil pessoas. Foram 145 atividades promovidas por 60 cooperativas, com um investimento superior a R$ 1,6 milhão em iniciativas de responsabilidade socioambiental.
É importante frisar que essas ações também estão alinhadas à Agenda 2030 da ONU, contemplando diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Assim, o cooperativismo se posiciona como um parceiro estratégico no enfrentamento dos principais desafios globais.
Portanto, posso afirmar com convicção: o cooperativismo transforma realidades, promove inclusão e fortalece comunidades. E faz isso com propósito, constância e compromisso genuíno com o desenvolvimento humano e social.