
Os turistas vieram! E vieram em maior número esse ano. Ponto positivo para a economia do Estado. A ocupação de pousadas e hotéis aumentou e o gasto médio também, mais de 17% no período de Réveillon.
As praias da Grande Vitória seguem cheias, o que é bom por um lado, mas, por outro, os problemas se tornam ainda mais aparentes. Faltam regras e infraestrutura. O trânsito, por exemplo, em algumas regiões fica absolutamente caótico e os moradores é que pagam o preço.
Entre os problemas mais graves e persistentes, é bom que se diga, está a falta de água.
Bairros de Vitória e Cariacica ficaram sem abastecimento. Em Guarapari, o principal destino turístico no Espírito Santo, moradores e visitantes relataram a falta de água desde o Natal.
As explicações da Cesan passam por ligações clandestinas que drenam grande volume de água, vandalismos, obras ou reparos na rede que interrompem o fluxo e, claro, o aumento do consumo.
Como diz o ditado, tudo isso explica, mas não justifica. É fato que nessa época do ano, a pressão sobre o sistema de abastecimento aumenta, mas isso não elimina a responsabilidade do poder público, que, inclusive, já sabe do histórico.
Falta de água é um problema recorrente e previsível, ou seja, se o risco é conhecido há que se ter planejamento, investimento e gestão preventiva.
A opção do governo de estruturar uma PPP restrita ao esgotamento sanitário no ano passado, deixando de fora o abastecimento de água, mostra-se hoje um erro estratégico, afinal, se ano após ano o morador e o turista abrem a torneira e ela está seca é sinal que medidas estruturais foram negligenciadas.
O turismo tem sido apontado e, de fato é, um segmento importante para a economia do Estado na medida que gera empregos, movimenta serviços e projeta a imagem do Espírito Santo.
No entanto, a atração de visitantes pressupõe o funcionamento adequado da infraestrutura básica. Sendo um segmento estratégico, o turismo precisa estar integrado ao planejamento urbano, ambiental e hídrico.
Caso contrário, o que deveria ser vetor de desenvolvimento vira fator de estresse – para moradores, visitantes e para a própria imagem do Estado.