
A chegada da GWM ao Espírito Santo representa um salto qualitativo na base produtiva capixaba e redefine as próprias ambições econômicas.
Até aqui, o Espírito Santo construiu a relevância apoiado em logística, comércio exterior e commodities.
Como tudo indica, com a instalação da empresa chinesa em Aracruz, o Estado passa a fabricar um produto complexo, que demanda mão de obra altamente qualificada, estimula a formação técnica e universitária e cria condições reais para o desenvolvimento de tecnologia local.
E já tivemos essa oportunidade…
Um dos episódios mais emblemáticos na busca do Espírito Santo por uma fábrica de veículos aconteceu em 1999. O Estado brigava com Rio Grande do Sul e Bahia por uma fábrica da Ford.
O governo capixaba chegou a apresentar para a imprensa uma maquete da instalação no Estado, porém foi frustrado pouco tempo depois. Em junho daquele ano, a Ford anunciou que construiria a fábrica na Bahia, graças a um pacote imbatível de benefícios tributários.
Os incentivos só foram possíveis graças à forte articulação política baiana com o governo federal. Uma derrota amarga que ajudou a tumultuar ainda mais o cenário político capixaba da época.
De volta aos tempos atuais, não se trata apenas de montar carros, mas de estruturar uma cadeia industrial sofisticada, com fornecedores, centros de serviços, pesquisa e inovação. Importante frisar que estamos em um contexto de transição tecnológica com a eletrificação e maior valor agregado.
Portanto, o impacto econômico tende a ser amplo, com bilhões de reais de investimentos e milhares de empregos. Uma fábrica de veículos desse porte funciona como um ímã, ou seja, empresas do mesmo segmento – e também de áreas diversas – passam a considerar o Estado como destino de investimento.
Soma-se a isso o potencial real que o Espírito Santo tem para se tornar um polo exportador da GWM para a América Latina. Lembremos que o Estado já é o principal importador de veículos do Brasil.
Investimentos assim aumentam de forma significativa o dinheiro circulando na economia. São empregos diretos e indiretos, novos serviços, demanda por habitação, educação, transporte e consumo. O efeito multiplicador é conhecido e, quando bem gerido, transformam regiões inteiras.
O desafio é fazer dessa oportunidade uma estratégia de longo prazo, com desenvolvimento econômico e social.