Oito meses após o assassinato da diarista Iraci de Souza Teixeira, de 66 anos, a dor da família segue viva e a sensação é de que o tempo não amenizou a ausência.

O corpo da idosa foi encontrado em 1º de maio do ano passado, enterrado em uma cova rasa em uma área de matagal no bairro Vale Encantado, em Vila Velha, dias depois de Iraci desaparecer ao sair para caminhar. Até hoje, o crime segue sem resposta definitiva.

Iraci de Souza Teixeira tinha 66 anos. Foto: Acervo familiar

Para os familiares, a rotina mudou completamente desde a perda. A filha, Fabiola Azevedo, relata que o sofrimento se renova diariamente.

Eu vivo isso todos os dias, olhar para a janela e não ver mais a minha mãe ali como eu vi da última vez. A gente só está sobrevivendo, mas em vida mesmo nós não estamos, porque a nossa base, a nossa força, era ela”.

Fabiola Azevedo, filha de Iraci

Iraci desapareceu na manhã de sábado, 26 de abril. Imagens de câmeras de videomonitoramento mostraram a diarista deixando o condomínio onde morava, vestindo roupas de atividade física.

Segundo a família, ela havia combinado de tomar um café com a filha naquela mesma tarde, mas não respondeu mais às mensagens.

Eu saí para trabalhar de manhã, ela estava na janela e a gente se despediu. Quando cheguei ao trabalho, mandei mensagem elogiando ela, dizendo que mais tarde a gente ia tomar um café. Ela não respondeu. Ao meio-dia, mandei de novo e nada. Foi aí que eu senti que algo tinha acontecido”.

Fabiola Azevedo, filha de Iraci

Durante cinco dias, familiares, amigos, voluntários e forças de segurança realizaram buscas intensas pela região. Cães farejadores do Corpo de Bombeiros chegaram a atuar nas proximidades da Rodovia Leste-Oeste, onde Iraci havia sido vista pela última vez. O corpo foi localizado por voluntários da igreja em uma área de mata fechada próxima a um areal.

No local, a perícia constatou que a diarista estava com as mãos amarradas e havia sido enterrada em uma cova rasa, o que reforçou a suspeita de homicídio.

A Polícia Civil assumiu as investigações, mas, até o momento, não divulgou detalhes sobre suspeitos ou a motivação do crime.

“Voltar para casa sem ela foi castigante demais. O desfecho, no dia 1º de maio, foi da forma que a gente nunca imaginou. A família sofre até hoje”, afirma a filha.

Segundo ela, Iraci era conhecida pelo carinho e pela forma afetuosa com que tratava todos ao redor: “Não tem uma pessoa que fale algo ruim da minha mãe. Quem conviveu sabe a pessoa maravilhosa que ela era”.

Além dos filhos, netos, amigos e moradores da região seguem mobilizados, pedindo que qualquer informação seja repassada à polícia. A família acredita que alguém possa ter visto algo no dia do desaparecimento.

Foi à luz do dia. Eu acredito que alguém viu, alguém sabe. Que não guarde isso para si. Se coloque no nosso lugar”, pede Fabiola.

O caso continua sob investigação da Polícia Civil. Enquanto aguardam respostas, os familiares tentam manter viva a memória de Iraci e reforçam o apelo por justiça.

Relembre

A diarista Iraci de Souza Teixeira, conhecida como Graça, de 66 anos, desapareceu após deixar o condomínio onde morava, no bairro Vale Encantado, em Vila Velha, no último sábado (26).

Imagens de videomonitoramento do condomínio mostram que ela saiu do local com roupas utilizadas para pratica de exercício físico.

Veja o vídeo:

Ao longo da semana, familiares e amigos se mobilizaram para realizar buscas pela diarista. O desaparecimento também foi registrado na Polícia Civil.

Na tarde de quarta-feira (30), cães farejadores auxiliaram a polícia e o Corpo de Bombeiros nas buscas por Iraci. Os trabalhos se concentraram na região perto de onde ela foi encontrada morta nesta quinta-feira (1º).

Investigações estão em sigilo

A Polícia Civil, em nota, disse que o caso encontra-se em apuração pela Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM). “Em razão do sigilo das investigações, não serão repassados detalhes neste momento”, afirma.

A nota reforça que “as equipes seguem trabalhando de forma comprometida para esclarecer os fatos e oferecer respostas aos familiares”. Informações e denúncias podem ser repassadas de maneira anônima por meio do Disque-Denúncia 181.

*Com informações da TV VItória/Record

Leiri Santana, repórter do Folha Vitória
Leiri Santana

Repórter

Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e especializada em Povos Indígenas.

Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e especializada em Povos Indígenas.