“Cena de morte, achei que havia perdido os meus filhos e meu sobrinho”. Com essas palavras, a dona de casa Amanda Nascimento, de 34 anos, descreve o desespero vivido ao ver a filha Emanuelle, de apenas 3 anos, baleada enquanto brincava no Morro do Quadro, em Vitória.

Emanuelle é uma das vítimas de um ataque que baleou quatro pessoas, entre elas as crianças de 13 e 3 anos. As vítimas foram alvejadas por criminosos encapuzados, que efetuaram mais de 30 disparos de arma de fogo na rua.

Mãe de quatro filhos, Amanda contou que nunca havia presenciado algo semelhante na região, onde nasceu e foi criada. “Eu sou nascida e criada aqui e nunca teve casos de balear uma criança, nem nada”, disse.

Segundo testemunhas, as crianças costumavam brincar no beco da comunidade, enquanto os adultos permaneciam sentados em frente às casas. No entanto, naquela tarde, três criminosos teriam parado um carro no final do beco e efetuado disparos contra as vítimas.

Amanda estava dentro de casa fazendo a limpeza quando ouviu a movimentação. Ao perceber o que havia acontecido, saiu às pressas com o marido para tentar socorrer a filha e encontrar um veículo que pudesse levá-la ao hospital.

Eu vi andando meu filho, minha filha de 6 anos, minha sobrinha… e não tinha visto ela. Quando Emanuelle veio andando devagar, eu peguei ela no colo e vi que havia sido baleada”.

Amanda Nascimento, mãe de Emanuelle

A menina foi socorrida e ficou internada por cinco dias no Hospital Infantil de Vitória. Segundo a família, ela foi atingida por dois tiros, mas, após o atendimento médico, recebeu alta e se recupera em casa.

Suspeitos são presos por ataque

Nesta quinta-feira (15), uma operação policial no Morro do Cabral, também em Vitória, prendeu dois suspeitos, de 22 e 39 anos, de envolvimento com o ataque que baleou as quatro pessoas no Morro do Quadro.

Eles foram identificados como: Mateus Coutinho de Abreu, de 22 anos, o “Ratão”, e Luciano Ramon Tâmara, de 39 anos, o “Foguinho”.

O objetivo da operação era o cumprimento da prisão de Ratão, detido com uma pistola e munição. Já “Foguinho”, que ocupa um lugar de chefia na facção, foi preso em flagrante com uma arma e munição.

Segundo o delegado da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, Moreno Gontijo, o ataque foi motivado por uma disputa territorial pelo tráfico de drogas do Morro do Cabral.

Foi preso um rapaz de apelido Foguinho que era o ‘frente’ do Cabral. Ele está relacionado a esse homicídio e é um dos caras que autorizou o ataque. Geralmente um ataque como esse não sai sem a autorização da frente do morro”.

Moreno Gontijo, delegado

O delegado também descreveu que a disputa pelo tráfico, entre o Primeiro Comando de Vitória (PCV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), já acontece na região desde o mês de dezembro de 2025.

Tudo decorrente da guerra do tráfico, que de um lado está o Cabral, que é o PCV, e o outro lado, bem em frente à Chapada, tem o PCC. Eles estão nessa guerra pelo tráfico e já tem seis vítimas dessa guerra”.

Moreno Gontijo, delegado

O ataque ainda possui outros dois suspeitos que estão sendo investigados. “Vamos dar andamento na investigação e se estiverem envolvidos vai sair a prisão deles também”, finalizou o delegado.

Repórter do Folha Vitória, Maria Clara de Mello Leitão
Maria Clara Leitão

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário Faesa e, desde 2022, atua no jornal online Folha Vitória

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