
O Espírito Santo registrou um aumento alarmante nos casos de estelionato. De janeiro a julho deste ano, foram contabilizadas 29.117 vítimas, o que representa mais da metade dos 46.778 casos registrados em todo o ano passado. Esse tipo de crime já superou casos de furto (9.352) e roubo (6.490) no Espírito Santo.
O avanço da tecnologia torna os golpes mais sofisticados. Bandidos se passam por funcionários de bancos, advogados, familiares e até utilizam documentos e dados pessoais colhidos na deep web, a parte da internet invisível para a maioria dos usuários.
Uma das pessoas que quase foi vítima dos golpistas foi a camareira Maria Aparecida Parcigate. O criminoso entrou em contato com ela como se fosse filha dela, pediu dinheiro e enviou até uma chave Pix. Mas ela desconfiou e não fez a transferência.
A pessoa foi no Instagram, pegou a foto dela, o nome dela completo e simplesmente usou um número aqui do Espírito Santo para pedir um Pix de R$ 852, falando que era para pagar uma fatura.”
Maria Aparecida Parcigate, camareira
Alerta da polícia: desconfiar é a melhor prevenção
Segundo o delegado adjunto da Delegacia Especializada de Defraudações e Falsificações, Jonathan de Lana Gonçalves, a desconfiança é a principal ferramenta de defesa contra os criminosos.
Desconfie de contatos inesperados, não solicitados, atípicos, de pessoas se fazendo passar por agentes do banco, pois isso não é um tipo de contato comum do banco.”
Jonathan de Lana Gonçalves, delegado
Um dos maiores desafios da polícia é localizar o dinheiro fruto de golpes. Isso porque os estelionatários pulverizam os recursos assim que recebem as transferências via Pix, o que torna difícil o rastreamento. E é justamente isto que a nova ferramenta do Banco Central pretende mudar.
O Mecanismo Especial de Devolução (MED) já existe, mas a partir de outubro, ficará disponível para os clientes dos bancos. A ferramenta vai permitir o rastreamento do dinheiro não só apenas para a conta de destino do golpista, mas também para onde ele enviar os recursos.
Para não entrar nas estatísticas, é importante estar atento a algumas dicas:
- Nunca fornecer dados pessoais, como contas bancárias e documentos a quem não é de confiança.
- Nenhum banco pede a senha do cliente ou solicita qualquer transação financeira. Se isso acontecer, desconfie.
- E se mesmo o golpe for aplicado, a orientação é registrar o crime na polícia e buscar informações no banco.
Delegado orienta a guardar o máximo de provas
O delegado Jonathan de Lana Gonçalves ressaltou que apesar do investimento em tecnologia para o combate ao crime, a colaboração das vítimas é crucial. Ele reforça a importância de reunir o máximo de provas, como mensagens, e-mails e prints de tela, para auxiliar na investigação e na punição dos golpistas.
“A pessoa deve reunir todas as evidências que tem, como comprovantes de transações, o contato que o infrator entrou com ela e outras evidências que por acaso tenha. A partir delas, a vítima deve registrar o boletim de ocorrência e anexar a ele essas evidências. Esse registro pode ser feito tanto online quanto presencial, numa delegacia”, disse o delegado.
O aumento dos casos no Espírito Santo reflete um cenário nacional. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mais de 2 milhões de brasileiros foram vítimas de estelionato em 2024.
*Com informações do repórter Lucas Pisa, da TV Vitória/Record