
O Espírito Santo encerrou 2025 com um marco inédito na área da Segurança Pública. Ao longo do ano, foram contabilizados 796 homicídios dolosos, o menor número desde o início da série histórica, em 1996.
É a primeira vez, em três décadas, que o Estado fecha um ano com menos de 800 assassinatos, consolidando 2025 como o melhor resultado já registrado no período.
Na comparação com 2024, até então o melhor desempenho da série, a redução foi de 6,8%, o que representa 58 vidas preservadas em um intervalo de 12 meses.
A análise por região aponta reduções significativas em diversas partes do Estado. A Região Sul liderou a diminuição dos homicídios, com queda de 33,3%, alcançando o melhor resultado de sua história, com 58 ocorrências.
A Região Serrana apresentou redução de 25,4%, enquanto a Região Noroeste registrou recuo de 12,6%.
Concentrando a maior parte da população capixaba, a Região Metropolitana atingiu em 2025 o menor número de homicídios de sua série histórica. Foram 395 registros, contra 403 no ano anterior, o que representa redução de 2%.
Dez cidades não registraram homicídios
Outro dado que chama atenção do balanço anual é o avanço em cidades que passaram longos períodos sem registrar homicídios. Em 2025, dez municípios capixabas não tiveram nenhuma ocorrência desse tipo.
Dores do Rio Preto lidera o ranking, com 1.324 dias sem homicídios, seguido por Iconha, com 1.109 dias, e Vila Pavão, que ultrapassou dois anos consecutivos sem registros.
A violência letal contra mulheres também apresentou queda histórica. Foram 75 homicídios femininos em 2025, o menor número desde 1996.
Já os casos classificados como feminicídio caíram 15,4% em relação a 2024, passando de 39 para 33 ocorrências, o menor índice desde que esse tipo de crime passou a ser monitorado de forma específica, em 2017.
Recuo de crimes patrimoniais e investimentos em tecnologia
Além da redução dos homicídios, os crimes contra o patrimônio também registraram queda no ano que terminou. O roubo e furto de veículos diminuiu 13,8%, com 850 registros a menos em comparação com 2024. Os crimes envolvendo celulares também recuaram, com redução de 15,3%, totalizando 3.194 aparelhos a menos subtraídos ao longo do ano.
O destaque mais expressivo foi observado nos roubos ao transporte coletivo, que tiveram queda de 56,9%, passando de 1.656 para 716 ocorrências. Segundo a Sesp, o resultado é atribuído ao reforço do policiamento nos terminais e à ampliação do videomonitoramento integrado nos ônibus e pontos estratégicos.
A Secretaria de Segurança destacou o uso intensivo de tecnologia e a gestão baseada em dados como alguns fatores que colaboraram com os dados obtidos.
O governo enfatizou que em 2025 ampliou a estrutura de monitoramento, que hoje conta com 40 Totens de Segurança e 1.468 câmeras do Cerco Inteligente, integradas ao Núcleo de Intervenções Rápidas (NIR).
Com recursos como reconhecimento facial e leitura de placas, o sistema possibilitou a prisão de 568 pessoas com mandados em aberto e a recuperação de 1.795 veículos. Os totens também foram acionados mais de 1.200 vezes pela população, resultando em 510 ocorrências policiais registradas, segundo a Sesp.
A contabilidade dos dados segue a metodologia da série histórica iniciada em 1996, sempre comparando o desempenho de um ano em relação ao anterior.
Governador fala em cautela e responsabilidade
Em relação aos dados, o governador Renato Casagrande destacou que, apesar dos avanços, o tema exige cautela e responsabilidade. Segundo ele, os números refletem o fortalecimento do Programa Estado Presente em Defesa da Vida, que atua de forma integrada em áreas estratégicas.
“Registramos, mais uma vez, redução histórica no número de homicídios no ES. Não há o que comemorar enquanto perdemos vidas, mas é preciso registrar o resultado do trabalho do Estado Presente, que mostra que estamos no caminho certo”, disse Casagrande em postagem nas redes sociais.
O chefe do Executivo estadual ressaltou que os investimentos em inteligência, tecnologia e valorização dos profissionais da Segurança Pública seguirão como prioridade, com o objetivo de manter a tendência de queda.