
Três idosas vítimas do golpe do bilhete premiado tiveram um prejuízo que ultrapassa R$ 202 mil no Espírito Santo. Um homem e duas mulheres foram presos suspeitos de integrar a organização criminosa especializada no estelionato.
A polícia identificou os suspeitos como: Luis Fernando do Carmo, de 36 anos; Daniela Bottega Oliveira do Carmo, de 37; e Gabrieli Aparecida de Oliveira Florão, de 24. O trio foi detido em frente a uma agência bancária, em Jardim da Penha, em Vitória. Eles são de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.
Vídeo mostra prisão em Vitória:
Segundo o delegado Jonathan Lana. adjunto da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), no mês de novembro de 2025 foram registrados três boletins de ocorrência envolvendo o golpe do bilhete premiado.
Entre as vítimas estão: uma idosa de 81 anos, que perdeu R$ 3 mil; uma outra de 84 anos, que teve o prejuízo de R$ 70 mil; e a terceira, de 73 anos, que perdeu o valor de R$ 129 mil.
As investigações apontaram que as vítimas eram escolhidas com base em um perfil específico: idosas, moradoras de áreas nobres e que eram abordadas com a desculpa de que indicassem um advogado.
A partir dos relatos das vítimas, foi identificado o carro usado pelos golpistas durante o crime e as características dos envolvidos. Diante disso, a polícia chegou à conclusão de que se tratava de uma organização criminosa com atuação estruturada e revezamento entre os integrantes.
Detectamos que se tratava de uma organização criminosa. Então, continuamos as investigações e monitoramos as ações desses estelionatários, sendo que, em janeiro, detectamos que esses estelionatários voltaram ao Estado novamente e agiram da mesma forma que atuaram em novembro.”
Jonathan Lana, delegado adjunto da Defa
Ao todo, cinco pessoas teriam participado dos golpes, entre eles Luiz Fernando, Daniela e Gabrieli. As investigações continuam para identificar e capturar outros dois suspeitos.
Como os golpes aconteciam
Segundo o delegado, a quadrilha primeiro agia com a ação da Gabrieli, que abordava a vítima se passando por uma pessoa humilde, do interior, e alegando que precisava de ajuda para encontrar um advogado, pois estaria com um bilhete de loteria premiado.
Em seguida, um comparsa aparecia em cena. Era Luiz Fernando, que se apresentava como médico ou advogado e oferecia auxílio a Gabrieli.
Eles então simulavam uma ligação para um suposto funcionário da Caixa Econômica Federal, que confirmava o prêmio milionário. A partir daí, convenciam a vítima a entrar no carro para “resolver a situação”.
Dentro do veículo, eles começavam uma nova história de convencimento, para que a vítima pudesse adquirir o bilhete. Eles usam o convencimento que o bilhete premiado seria semelhante a um jogo e Gabrieli, como seria religiosa, não poderia aceitar o bilhete.”
Jonathan Lana, delegado adjunto da Defa
Diante disso, Fernando combinava com a vítima deles ajudarem comprando o bilhete de Gabrieli. Depois disso, a golpista até afirmava que não poderia entregar o bilhete, pois “seria enganada”.
“Eles então criam uma obrigação da vítima de oferecer uma garantia que ela não vai aplicar um golpe. Invertem a obrigação de garantia”, explicou o delegado.
Convencidas, as vítimas chegavam a ir até bancos, realizavam transferências ou entregavam valores em espécie para os golpistas.
Após receberem o dinheiro das vítimas, os estelionatários criavam novas histórias para fugir da cena do crime.
Em um dos casos, Gabrieli disse que estava menstruada e pediu para a vítima comprar um absorvente. Ela foi lá, comprou um absorvente e, quando voltou, não encontrou os estelionatários.”
Jonathan Lana, delegado
Os suspeitos foram localizados após a polícia identificar que haviam retornado neste mês ao Espírito Santo. Durante a abordagem, os agentes encontraram um documento falso usado no golpe e um celular ligado a uma das ações anteriores.
Diante das prisões, Luiz Fernando foi encaminhado para o Centro de Triagem de Viana, enquanto Gabrieli e Daniela estão no Centro Prisional Feminino de Cariacica.
Polícia continuará as investigações
A Polícia Civil continua as investigações para identificar outras possíveis vítimas e prender os demais integrantes do grupo.
As investigações ainda continuam para que a gente possa responsabilizar esses outros indivíduos. A gente passa orientação para quem puder contribuir com o Disque Denúncia 181 e que não se sinta constrangida de ter caído no golpe.”
Jonathan Lana, delegado
A Polícia Civil também orienta que a população desconfie de histórias envolvendo prêmios, dinheiro fácil ou pedidos de ajuda feitos por desconhecidos na rua.