Uma hóspede de 50 anos, identificada como Raquel Cerqueira Costa, foi presa em flagrante por injúria racial dentro de um hostel no Morro do Moreno, em Vila Velha. Segundo os proprietários, a mulher perseguiu e provocou uma funcionária e outra hóspede negras, usando insultos, ironias e até bananas para humilhá-las.
A empresária Valéria Facini, dona do estabelecimento, contou que a mulher chegou ao local na última sexta-feira (21). Ainda no quarto, ela passou a adotar comportamentos racistas direcionados a uma das hóspedes. Horas depois, repetiu as atitudes enquanto uma funcionária realizava a limpeza do ambiente.
‘Então, eu vou lá comprar um cacho de banana para você, porque você está precisando comer banana’. Enfim, ficou uma cena da banana. A funcionária ficou desconfortável, mas manteve seu papel, sua função. Um hóspede, também próximo, escutou ela falando da banana e foi perguntar para ele onde era que comprava banana. Ela espichou essa conversa da banana com a hóspede negra e com a funcionária negra.
Valéria Facini, proprietária do hostel

No sábado (22), a funcionária preferiu não relatar o que havia ocorrido. Mas no domingo (23), emocionalmente abalada, ela decidiu contar tudo aos proprietários. Valéria relata que, ao ser chamada para conversar, a hóspede mudou a versão dos fatos, se exaltou e passou a ofender a equipe.
A direção do hostel decidiu cancelar a hospedagem e devolver o dinheiro, mas mesmo assim a mulher se recusou a deixar o local.
O empresário Ramon Araújo, também responsável pelo hostel, presenciou toda a situação e acompanhou a funcionária até a Delegacia Regional de Vila Velha. Segundo ele, o comportamento preconceituoso da suspeita continuou mesmo diante da polícia.
Na delegacia, antes de ela ser detida, acho que ela não entendeu também a gravidade do que estava fazendo ali, ela tirou uma banana e ficou andando ali, próxima da funcionária, próxima da gente. A gente estava com a funcionária perto da gente, então ela continuou ali naquelas provocações, comendo banana, observando, olhando, ironicamente, fazendo isso de forma bem irônica e debochada dentro da delegacia.
Ramon Araújo, proprietário do hostel
Ramon afirmou que só ao chegar à delegacia percebeu a gravidade do caso e as consequências legais do crime de injúria racial.
De acordo com os proprietários, a funcionária está em casa, em repouso, tentando se recuperar emocionalmente após o episódio.
A Polícia civil informou que a suspeita foi autuada por injúria racial e encaminhada ao sistema prisional no domingo.
*Com informações do repórter Rodrigo Schereder, da TV Vitória, Record.