Um homem de 49 anos, suspeito de cometer uma série de estupros no balneário de Guriri, em São Mateus, região Norte do Espírito Santo, foi preso. Ele responde por cinco crimes e é investigado por, pelo menos, mais dois.
Todos os crimes aconteceram na praia e as vítimas eram todas mulheres jovens, de menos de 25 anos, sempre acompanhadas do namorado. Os casos aconteceram no período de três meses, de agosto a novembro do ano passado.
A investigação da Polícia Civil apontou que o criminoso abordava o casal e levava tanto a vítima quanto o namorado para a faixa de areia, onde cometia os abusos.

Para render os casais, o homem utilizava uma faca ou simulava estar carregando uma arma de fogo. Em alguns casos, ele chegava a usar luvas para não deixar vestígios no local onde o crime acontecia.
A titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de São Mateus, Patrícia Ferreira de Souza, explica que os crimes aconteciam sempre tarde da noite, após as 23h.
Ao levar as vítimas para uma região de difícil acesso na praia, fazia com que elas próprias amarrassem os namorados e cometia os crimes ali mesmo, na frente deles.
Ele abordava as vítimas, acendia uma lanterna no rosto das vítimas, conduzia elas para dentro da areia. Fazia com que as próprias vítimas ou ele mesmo amarrassem o parceiro e pedia para que a vítima tirasse as roupas e ele também filmava os abusos.
Patrícia Ferreira de Souza, delegada
A delegada explica que nos vídeos o criminoso exigia que as vítimas dissessem seus nomes completos, além de endereço e o local onde trabalhavam.
Isso servia para coagir as mulheres e fazer com que não denunciassem os crimes. Ameaçando divulgar os vídeos caso fosse denunciado por alguma delas.
Namorados amarrados
A delegada relatou que após render o casal, o suspeito fazia com que o namorado da vítima se deitasse de bruços na areia.
Logo depois, fazia com que a vítima se deitasse nas costas do namorado e em cima do corpo do jovem cometia o abuso.
“Ele dizia palavras pejorativas à vítima e ali fantasiava que estava tendo uma relação sexual consentida com ela”, relatou.
Dois crimes em um mesmo dia
O primeiro caso denunciado aconteceu em 25 de agosto de 2025. De acordo com a delegada, em um primeiro momento a polícia analisou a denúncia como um caso isolado.
Em sequência vieram mais duas denúncias em um mesmo dia, no mês de outubro. Em um dos casos, um casal acionou a Polícia Militar, que foi até à praia. No local, a jovem, acompanhada do namorado, contou ter sofrido uma tentativa de estupro.
O crime só não foi consumado porque o namorado suspeitou que o homem estaria simulando estar armado e confrontou o suspeito, que fugiu.
Ainda na praia a PM ouviu um segundo casal, mas desta vez o suspeito havia conseguido cometer o crime.
“O rapaz do primeiro caso conseguiu com que ele fosse embora, porque o suspeito ficou amedrontado e partiu do local. Já no outro caso ele conseguiu consumar o crime. Foi daí que percebemos que se tratava de um criminoso em série”, disse a delegada.
Identificação e prisão do suspeito
Foi uma segunda briga que fez com que a polícia chegasse ao suspeito. Durante uma abordagem a um casal, o criminoso precisou fugir do local após o namorado da vítima reagir.
O namorado da vítima percebeu que o homem não estava armado e partiu para a cima dele. Durante a briga, o criminoso fugiu, ainda nu, deixando para trás as roupas, luvas e o próprio celular.
O casal acionou a polícia que foi ao local e apreendeu o celular do suspeito. No aparelho encontraram os vídeos das vítimas e conseguiram chegar ao proprietário do telefone. O casal foi levado à delegacia e ao hospital para receber atendimento médico.
O suspeito foi preso em Nova Venécia, região Noroeste do Espírito Santo, após a polícia identificar que ele se locomovia entre o município e Guriri. O endereço dele foi rastreado e a prisão foi efetuada.
“Quando o identificamos, percebemos que ele ficava entre Guriri e Nova Venécia, então já sabíamos os possíveis endereços dele em Nova Venécia, então quando saiu a prisão temporária dele, já fomos em busca dele”, relatou a delegada.
Ainda de acordo com ela, em posse do celular do suspeito, foram identificadas vítimas que ainda não haviam realizado denúncias junto à polícia.
Por conta disso, essas vítimas também foram chamadas a depor e para serem acolhidas por equipes médicas.
“Houve vítimas que consegui identificar posteriormente que não haviam comparecida à delegacia. Eu as chamei para depor e fiz todo o procedimento de atendimento às vítimas de crimes sexuais, encaminhamento para exames médicos, para que elas se sintam acolhidas, porque é um crime hediondo e que impacta muito as vítimas”, disse.
Criminoso cometia estupros desde 1994
Durante as investigações, a Polícia Civil levantou informações sobre o homem e descobriu que ele já havia sido condenado por quatro estupros cometidos entre os anos de 1994 e 2013.
Dois dos estupros aconteceram em Caratinga, Minas Gerais. O terceiro ocorreu em Governador Valadares, também em Minas. E o último, datado de 2013, em Nova Venécia, onde ele morava.
O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, classificou o criminoso como um estuprador em série e como um narcisista perverso.
“Ele é um cidadão de uma personalidade narcisista perversa, que já vinha cometendo esses tipos de crime desde 1994. Tiramos de circulação um facínora, um estuprador que não tem a menor condição de viver em sociedade”, afirmou.
A Polícia Civil informou que as investigações seguem agora para identificar outras possíveis vítimas do criminoso.