Suspeito usa uma barra para atacar o cabo PM Mariusom Marianelli Jacintho
Suspeito usa uma barra para atacar o cabo PM Mariusom Marianelli Jacintho. Foto: Câmera de segurança e Reprodução/Redes sociais

O cabo da Polícia Militar Mariusom Marianelli Jacintho morreu neste sábado (3), em decorrência dos ferimentos, após ser agredido com uma barra de PVC com concreto nas pontas em um posto de combustível, em Vila Velha.

A agressão foi registrada no dia 26 de dezembro de 2024 e Mariusom estava internado no Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE).

A informação foi confirmada à TV Vitória pelo presidente da Associação das Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Espírito Santo (Aspra), Jackson Eugenio.

Mariusom trabalhava na área administrativa da Polícia Militar e era cabo da Polícia Militar há 11 anos. Amigos contaram que ele era uma pessoa tranquila e não tinha histórico de agressão.

O suspeito das agressões, identificado como Kennedy Thaumaturgo Rocha Júnior, foi preso na tarde de domingo (28), após se apresentou voluntariamente à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) acompanhado de um advogado.

Entenda o motivo da briga

O suspeito foi ouvido após se apresentar voluntariamente à Delegacia de Homicídios, acompanhado de um advogado. Durante o interrogatório, que durou cerca de uma hora, ele relatou de forma detalhada como ocorreu a confusão que antecedeu o ataque.

De acordo com o depoimento, Kennedy Thaumaturgo Rocha Júnior estava em uma loja de roupas masculinas de sua propriedade, instalada em um contêiner no posto de gasolina, quando ouviu uma discussão entre a vítima e um funcionário de um lava-jato. A discussão teria começado após o policial urinar em uma área externa do estabelecimento.

A delegada destacou que, embora o ato da vítima tenha sido inadequado, o policial urinava em um local voltado para uma parede. Ainda assim, houve repreensão por parte de pessoas que estavam no local, incluindo o autor da agressão, o que resultou em troca de xingamentos.

Segundo a Polícia Civil, em determinado momento, o policial se afastou e passou a discutir à distância, próximo ao próprio veículo. Foi então que o suspeito se levantou, caminhou até um cano de PVC com base de concreto, que estava a cerca de cinco metros, e correu em direção à vítima, desferindo dois golpes — um na região da clavícula e outro na cabeça. O policial caiu ao solo imediatamente.

Na sequência, o irmão da vítima tentou afastar o agressor, e o filho do suspeito também interveio na confusão.

Durante o depoimento, o suspeito alegou que teria ouvido a vítima pedir uma arma à companheira, que estava dentro do carro. No entanto, essa versão não é confirmada pelas provas.

Nas imagens de videomonitoramento, inclusive ofertadas pelo próprio advogado do agressor, existem áudios e em nenhum momento foi possível ouvir a vítima solicitando essa arma.

Gabriela Enne, delegada

Após a agressão, a companheira do policial saiu do veículo com uma arma em punho. Segundo a delegada, a atitude ocorreu por medo de novas agressões.

Ela verificou que a vítima caiu ao solo e não levantava mais. Com receio de que ele fosse mais agredido, pegou a arma e apontou para as pessoas para afastá-las, com o objetivo claro de legítima defesa de terceiro

Gabriela Enne, delegada

O chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha, delegado Daniel Fortes, reforçou que as imagens mostram de forma clara que apenas o suspeito praticou a agressão que deixou o policial gravemente ferido. Segundo ele, não há indícios de participação de terceiros no ataque.

Daniel Fortes também destacou a banalidade do motivo da briga, ressaltando que a situação poderia ter sido resolvida com o acionamento da Polícia Militar ou da Guarda Municipal. “Não cabe à população fazer justiça com as próprias mãos”, afirmou o delegado.

Durante o depoimento, ainda conforme a delegada Gabriela Enne, o suspeito demonstrou arrependimento e afirmou que, se pudesse voltar atrás, teria agido de outra forma. Segundo ele, a atitude foi impulsiva e tomada sem reflexão.

Durante a madrugada, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva, que foi decretada pela Justiça. Após tomar conhecimento do mandado de prisão, o homem decidiu se entregar espontaneamente no domingo (28).

A reportagem do Folha Vitória tenta contato com a defesa de Kennedy Thaumaturgo Rocha Júnior e a matéria será atualizada com o retorno do advogado.

Repórter do Folha Vitória, Maria Clara de Mello Leitão
Maria Clara Leitão

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário Faesa e, desde 2022, atua no jornal online Folha Vitória

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