A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigou a morte de Matheus da Silva Rodrigues, de 13 anos, ocorrida em novembro de 2025, em uma lagoa no bairro Jabaeté, em Vila Velha.
A apuração apontou que o adolescente não estava sozinho no momento do afogamento e que quatro outros adolescentes que presenciaram a situação vão responder por ato infracional análogo ao crime de omissão de socorro, após não buscarem ajuda nem comunicarem o ocorrido a familiares ou autoridades.
O delegado Adriano Fernandes explicou que os adolescentes perceberam que Matheus estava submerso e não retornava à superfície, mas decidiram se omitir e deixar o local. O caso só veio à tona no dia seguinte, quando o corpo do estudante foi encontrado na lagoa, após buscas iniciadas depois que a família divulgou fotos do desaparecimento.
Diante dessa questão da omissão desses adolescentes, a gente imputou a eles o ato infracional análogo ao crime de omissão de socorro.
Adriano Fernandes, delegado

Adolescente não sabia nadar, segundo familiares
Segundo a família, Matheus não sabia nadar e havia saído de casa com um amigo da escola dizendo que iria andar de bicicleta. A investigação apontou que os adolescentes não informaram a ninguém que iriam até a lagoa, considerada perigosa.
O corpo do jovem foi localizado a cerca de cinco quilômetros da residência da família, no bairro Barramares, o que levantou dúvidas sobre as circunstâncias da morte durante as primeiras buscas.
Durante os depoimentos, um dos adolescentes confirmou que estava com Matheus no local. Segundo ele, os dois caminhavam lado a lado e pulavam de uma árvore para dentro da lagoa quando o afogamento ocorreu.
Outros quatro adolescentes estavam nas proximidades e se aproximaram após perceberem a situação. Ainda assim, conforme a polícia, o grupo decidiu não comunicar o ocorrido após não conseguir localizar Matheus na água.
Laudo confirma afogamento e descarta agressões
O laudo cadavérico confirmou que a causa da morte foi afogamento e descartou a existência de lesões adicionais, afastando a hipótese de agressão ou de que o adolescente tenha sido vítima de violência antes de morrer.
Os depoimentos dos adolescentes foram considerados convergentes pela polícia. Um deles afirmou que optou pelo silêncio por medo de ser responsabilizado, inclusive pela própria família, já que havia sido advertido sobre os riscos da região da lagoa.
Caso segue para a Vara da Infância e Juventude
Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado à Vara da Infância e Juventude, que vai definir quais medidas socioeducativas serão aplicadas aos adolescentes envolvidos, conforme prevê a legislação.
A equipe de reportagem da TV Vitória/Record tentou contato com as famílias dos adolescentes citados no inquérito, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

*Com informações da repórter Luciana Leicht, da TV Vitória/Record