Presídios capixabas foram os únicos que não registraram homicídio em 2016 no país

Polícia

Presídios capixabas foram os únicos que não registraram homicídio em 2016 no país

Apesar da boa notícia, o sistema prisional do Espírito Santo foi denunciado à Organização das Nações Unidas (ONU) em 2010, sobre as condições de encarceramento no DPJ de Vila Velha

Não foram registradas nenhuma morte dentro do sistema prisional nos anos de 2015 e 2016 Foto: TV Vitória

De acordo com um levantamento realizado pela Folha de São Paulo, o sistema prisional do Espírito Santo foi o único no país que não registrou homicídio em 2016.

Segundo o secretário de Estado da Justiça, Wallace Portes, no ano de 2015 também não foram registrados homicídios em presídios capixabas. 

“Isso é o resultado de um conjunto de ações adotadas pelo Estado. Há mais de dez anos que estamos trabalhando dentro do sistema prisional reconstruindo o sistema com um padrão completamente diferente, com uma arquitetura prisional que permite efetivamente o processo de ressocialização dos presos e, com isso, temos avançado na pacificação da massa carcerária”.

 Apesar dos bons resultados em 2015 e 2016, em 2010 o sistema prisional do Espírito Santo foi denunciado à Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de relatório sobre as condições de encarceramento no Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Vila Velha e na Unidade de Internação Socioeducativa, em Cariacica. 

O Governo diz que, a partir daí, intensificou as melhorias nos presídios capixabas. Ainda assim, atualmente são cerca de 13.8 mil vagas para, aproximadamente 19,5 mil internos. Segundo o diretor do Sindicato dos Inspetores Penitenciários do Estado, Wilker Kayser, em média, são 129 presos para cada um dos quase 2,5 mil inspetores penitenciários que trabalham nos presídios. “A recomendação é de cinco presos para cada inspetor. Então, estamos segurando os presídios da maneira que a gente pode", afirma.

Para o professor de Direitos Humanos, Bruno Toledo, o déficit de quase seis mil vagas, nos presídios capixabas, representa um risco.  “Nós não temos celas metálicas, não temos mais presos em delegacias, mas nós temos uma superlotação que foi, sem dúvida alguma, o pontapé inicial para o quadro que vivemos em 2010. Se não nos atentarmos para o quadro de déficit absoluto que estamos vivendo hoje daqui a pouco teremos um quadro de descontrole no sistema prisional do Espírito Santo”. 

A Sejus informou que, em 2016, concluiu a nomeação de todos os candidatos do cadastro de reserva do último concurso público realizado pela secretaria em 2012, nomeando 276 inspetores. Além disso, abriu um processo seletivo em setembro para a contratação de inspetores em Designação Temporária. Até o momento, foram contratados 200 servidores desse processo seletivo.