Polícia

'Mulheres, não fiquem caladas. Falem!', diz jornalista assediada dentro de Transcol em Vila Velha

Segundo a vítima, o crime aconteceu em um veículo da linha 503, que liga os terminais Vila Velha e Laranjeiras

Foto: TV Vitória

Uma viagem em um ônibus do Transcol, na qual o destino seria a igreja, terminou na delegacia. Na manhã deste domingo (17), uma mulher afirmou ter sido assediada dentro de um coletivo, em Vila Velha. Segundo a vítima, passageiros se revoltaram com a cena e tentaram agredir o suspeito.

A vítima, a jornalista Lilian Barros, afirmou que o crime aconteceu dentro do veículo que fazia a linha 503. "Estou muito aborrecida. Eu estava dentro do ônibus e o cara se espremendo e se esfregando em mim", disse.

O ônibus saiu do Terminal Vila Velha e seguia para o Terminal Laranjeiras, na Serra. Assustada, a jornalista contou que inicialmente não quis acreditar no que acontecia. "Tive a impressão de que eu poderia estar errada. Fiquei tentando me afastar, ele me espremendo e não adiantava. Tive a impressão que a mulher dele estava ali e eu ia reclamar com ela, mas não era. Até que eu senti uma coisa apertando minhas nádegas. Fiquei muito nervosa, querendo me afastar e, quando olhei, eu vi a mão dele", relatou.

O coletivo estava lotado e outros passageiros teriam percebido a movimentação suspeita. Ao chegar em uma praça, a mulher não teve mais dúvida e constatou que era importunada. Mesmo com medo, ela pediu ajuda. O motorista, o cobrador e outras pessoas ficaram indignadas e evitaram que o suspeito fugisse. "Foi apoio total. O cobrador foi o primeiro a dizer: 'vamos fechar o ônibus e chamar a polícia, você quer?', eu disse: quero!".

Desde 2018, uma lei prevê prisão para quem assediar mulheres nas ruas ou no transporte público. "Sempre que estou no ônibus, eu tento vigiar quem está do meu lado. Tento ficar mais perto de mulheres, chegar para frente, pois tenho medo. Já aconteceu uma coisa dessa comigo. Eu estava sentada na parte de trás e tinha um homem do meu lado tentando pegar na minha perna", contou a professora Júlia Loyola.

Para a jornalista, que denunciou o crime, o ato de coragem serve como exemplo e deixa o recado: "Mulheres, não fiquem caladas. Falem! Isso ´e nojento", aconselhou a vítima.

Segundo a Polícia Civil, o suspeito, identificado como Flávio Soares dos Santos, foi conduzido ao plantão especializado da mulher e autuado em flagrante por importunação sexual. Ele será encaminhado para o Centro de Triagem de Viana.

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