Professor perde mais de R$ 30 mil após cair em suposto golpe praticado por imobiliária de Vila Velha

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Professor perde mais de R$ 30 mil após cair em suposto golpe praticado por imobiliária de Vila Velha

Juliano Pagani Barreiros conta que economizou durante cinco anos para dar entrada em um apartamento. No entanto, o responsável pela transação teria "desaparecido" com o dinheiro

Juliano conta que economizou dinheiro durante cinco anos para dar entrada no tão sonhado apartamento Foto: TV Vitória

Um professor de Vila Velha afirma ter sido vítima de um golpe aplicado por uma imobiliária do município. Juliano Pagani Barreiros conta que economizou durante cinco anos para dar entrada em um apartamento. Mas a casa própria tão esperada deu lugar a uma tremenda dor de cabeça e o dinheiro que ele economizou por tanto tempo, pouco mais de R$ 30 mil, desapareceu.

A negociação começou em novembro do ano passado. Juliano, que mora na casa da mãe, foi até a empresa e entregou todos os documentos necessários a um dos sócios para comprar o apartamento. Naquele momento eles fizeram um contrato de compra e venda e parecia que tudo estava indo bem. 

Para agilizar o financiamento, o sócio, identificado apenas como Evandro, cobrou uma taxa de cerca de R$ 1 mil. No dia seguinte, o professor chegou a visitar o apartamento. Depois de receber as chaves, ele fez um depósito R$ 29 mil, correspondente à entrada do negócio. Segundo a vítima, Evandro garantiu que faltava apenas a vistoria do banco.

"Todo dia eu conversava pela internet, ligava e perguntava se estava tudo bem e ele dizia que era só esperar o banco ir lá e liberar. Perguntei se já podia começar a comprar os móveis, e ele disse que sim. No final do ano sempre tem promoção, então tudo que eu via, que era bacana e estava num preço legal, eu comprava para entrar e já começar a colocar as coisas em ordem", contou.

O professor diz que chegou a comprar máquina de lavar, fogão, talheres e outras utilidades do lar. Com as chaves na mão, quase todos os dias Juliano visitava o imóvel para fazer a limpeza e tirar medidas. A expectativa era se mudar antes do último natal. Mas o tempo foi passando e não houve a liberação para ocupar o apartamento. 

Equipe da TV Vitória/Record foi até o local onde funciona a imobiliária, mas o prédio estava fechado Foto: TV Vitória

Desconfiado, o professor foi até a imobiliária, mas não encontrou o sócio responsável pela negociação. Juliano só descobriu o golpe em janeiro, quando foi informado, pelo dono do apartamento, que o dinheiro da entrada não havia sido depositado

"De repente aparece na minha casa o dono do apartamento perguntando se eu realmente tinha depositado esse dinheiro. Como eu tinha tudo em mãos - recibo, comprovante de depósito - mostrei para o dono do apartamento e ele falou que eles haviam dado um cheque para ele, mas que o cheque estava sem fundo. E deixou a cópia do cheque comigo também", disse o professor. 

Em fevereiro, Evandro entrou em contato com Juliano e chegou a assinar um termo de confissão da dívida. Segundo o documento assinado em março, os responsáveis deveriam devolver R$ 30.200 a Juliano em até 120 dias. Só que até hoje o professor diz não ter recebido o dinheiro.

"Tinha feito plano para janeiro já estar morando lá. Todo mundo já tinha ido no apartamento, amigos, família. Todo mundo já estava torcendo, vibrando, feliz por mim pela conquista, para, no final das contas, descobrir que fui vítima de um golpe", lamentou.

A equipe de reportagem da TV Vitória/Record foi até a imobiliária, localizada no bairro Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha, mas o prédio estava fechado. Sobre o nome da imobiliária foi colocada uma placa escrita "aluga-se". A reportagem entrou em contato com o telefone indicado na fachada e descobriu que a empresa abandonou o espaço, deixando para trás uma dívida de R$ 60 mil.

Investigação

De acordo com a Polícia Civil, desde janeiro outras três supostas vítimas da mesma imobiliária já foram ouvidas. Todas disseram ter caído no mesmo tipo de golpe. 

Evandro foi localizado no Rio de Janeiro. Em depoimento, ele informou que deixou a sociedade, mas se comprometeu a cobrir os prejuízos. "A gente está apurando ainda. Há uma necessidade de ouvir diversas pessoas que foram citadas por ele e pelo outro sócio, que se encontra fora do Estado e é por isso que demora um pouquinho. Mas pode ser sim que ele responda pelo crime de estelionato", destacou a delegada Rhaiana Bremenkamp, da Delegacia de Defraudações e Falsificações (Defa).

A delegada acredita que novas vítimas ainda podem aparecer e orienta: quem vai comprar um imóvel deve checar as informações passadas pelos corretores para não ficar no prejuízo. "O que nos chama a atenção é que foram depósitos realizados em conta de pessoa física. Por isso, muito cuidado: se você está comprando um imóvel, um bem tão caro, tenha o cuidado de realizar essa compra dentro da empresa, mas depositar na conta da pessoa jurídica, para demonstrar que realmente esse dinheiro foi para ela", orientou.