Caso Chesley: advogada contesta versão de que o jovem estivesse armado no momento do crime

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Caso Chesley: advogada contesta versão de que o jovem estivesse armado no momento do crime

A esperança da família é que os policiais sejam responsabilizados e condenados pela morte do jovem

Foto: Reprodução

Dois meses após a morte do autônomo Chesley de Oliveira Trabach, de 20 anos, a investigação está prestes a ser concluída e encaminhada ao Ministério Público. O rapaz teria morrido após trocar tiros com a polícia, mas a advogada da família contesta a acusação de que Chesley estava armado.

O inquérito está em fase final e deve ser entregue em 12 dias. A advogada da família do jovem, Gizzelly Bicalho, afirma que os policiais envolvidos no caso, suspeitos de terem atirado contra Chesley, não foram afastados. "A maioria das testemunhas, inclusive os policiais foram ouvidos, mas o que me intriga é que eles não foram afastados, apenas tiraram férias e foram ouvidos após este período", disse. 

Para a advogada, vários pontos do inquérito não batem com a verdade dos fatos. "Na ocorrência, os policiais falam que a moto estava com restrição de furto e roubo, mas o delegado avisou ao pai que ele poderia buscar a moto porque ela estava sem restrição alguma. Além disso, em nenhum momento do crime, que ele está estendido no chão, não tem nenhuma arma próxima a ele. Em nenhum vídeo gravado por populares dá pra ver armas com ele, nenhuma testemunha viu a arma, ela só apareceu depois", contestou. 

O pai do jovem, Wellington Trabach, afirma não acreditar na versão de que o filho teria uma arma. Em entrevista a equipe de reportagem da TV Vitória/Record TV, ele falou da dor de perder o filho. "É um buraco que não se preenche mais, não durmo direito. É muito difícil. O único filho foi tirado de mim dessa forma". 

A esperança da família é que os policiais sejam responsabilizados e condenados pela morte de Chesley. "Esperamos que eles sejam denunciados e respondam administrativamente, criminalmente e sejam condenados, para que nunca mais nenhum jovem seja executado aqui ou em qualquer parte do Brasil, de forma tão brutal pela Policia Militar", disse a advogada. 

O outro lado

Os policiais envolvidos na morte de Chesley de Oliveira Trabach afirmam que dispararam contra o jovem, porque ele teria apontado uma arma contra a guarnição. Na época do crime, o delegado chefe da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, José Lopes, apresentou o laudo que comprava vestígios de pólvora na mão do rapaz. 

O delegado afirma que tudo está sendo feito para que o caso seja selecionado. "Eu não vejo se ele é criminoso ou deixa de ser, a gente vê a ação. Se a ação for válida tudo bem, se não for a gente encaminha para o Ministério Público. A gente não julga a pessoa, mas sim a ação dela", esclareceu. 

Em nota, a Polícia Militar afirmou que o caso está em fase de inquérito, que os policiais continuam atuando normalmente e que não vão emitir novos comentários até que surjam novos fatos. Já a Polícia Civil, informou que o caso é de responsabilidade do Serviço de Investigações Especiais e que o laudo pericial confirmou a presença de pólvora nas mãos do jovem, mas o inquérito se baseia em outros fatores que estão sendo analisados. 

Relembre o caso

Chesley de Oliveira Trabach foi morto à tiros no bairro Vila Independência, em Cariacica, no início do mês de maio deste ano. A polícia afirma que o rapaz estava armado e durante uma abordagem, teria apontado a arma para os policiais. Testemunhas que estavam no local e que chegaram a fazer vídeos do momento da ação, contestam a versão, dizendo que o jovem não estava armado. 

Os moradores dos bairros Vila Independência e Mucuri chegaram a fechar parte da BR-101 duas vezes, para protestar contra a atitude dos policiais. Neste caso, a polícia precisou intervir para liberar a via e houve confronto. 

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