Advogado pula janela para escapar de operação contra organização criminosa

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Advogado pula janela para escapar de operação contra organização criminosa

Ação aconteceu na manhã de segunda-feira, durante operação do MPES. Alzemir Rosa Miranda Ramos, no entanto, se entregou no mesmo dia

Rodrigo Araújo

Redação Folha Vitória
Foto: Reprodução / TV Vitória

Oito advogados já foram presos no âmbito da "Operação Armistício", deflagrada na segunda-feira (19) pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Eles são suspeitos de intermediar a troca de mensagens entre detentos do sistema prisional do Espírito Santo e integrantes de uma organização criminosa que atua na Grande Vitória.

De acordo com o Ministério Público, um dos advogados chegou a pular a janela da casa dele, na Praia do Suá, em Vitória, durante a manhã, na tentativa de fugir dos agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPES. No entanto, horas depois, ele se entregou.

Por volta das 6h30 de segunda-feira, integrantes do Gaeco, acompanhados de policiais militares, estiveram na casa do advogado Alzemir Rosa Miranda Ramos, de 46 anos, para cumprir um mandado de prisão que havia contra ele e também mandados de busca e apreensão.

No entanto, após os agentes fazerem contato com o advogado, por meio de uma janela da residência, informando sobre o cumprimento dos mandados e pedindo para ele abrir a porta, Alzemir correu para dentro da casa.

Um dos militares que acompanhavam a ação chegou a pular a janela, para tentar evitar a fuga do advogado. No entanto, teve dificuldades para acessar o imóvel, que estava em obras, devido a materiais de construção que estavam na entrada da residência.

Como todas as portas de acesso à casa estavam sendo vigiadas, nas ruas da frente e na de trás, os agentes concluíram que Alzemir utilizou uma janela lateral para fugir. Os agentes chegaram a procurar o advogado na casa da sogra dele, que mora na parte de cima do imóvel, mas não o encontraram. 

Em seguida, entraram na casa de Alzemir para cumprir o mandado de busca e apreensão. Na residência, foram apreendidos celulares, um notebook, HD externo, pendrive, entre outros materiais.

Toda a ação foi acompanhada por duas advogadas representantes da OAB-ES, para resguardar as prerrogativas do investigado, além de dois advogados contratados pela esposa de Alzemir para o defenderem no processo.

Ainda segundo o MPES, as buscas pelo advogado terminaram por volta das 9h40, sem que ele fosse localizado. No entanto, ao longo do dia, Alzemir se apresentou na sede do Gaeco.

Agora ele cumpre prisão domiciliar e é monitorado por meio de uma tornozeleira eletrônica. Ele foi notificado a comparecer à sede do Gaeco, na próxima quinta-feira (22), às 14 horas, para prestar depoimento.

O advogado Hilton Miranda Rocha Sobrinho, um dos responsáveis pela defesa de Alzemir, disse à reportagem do Folha Vitória que seu cliente se assustou, no momento da chegada dos agentes do MPES, e por isso acabou fugindo.

O defensor disse ainda que, no momento, não vai se pronunciar sobre as acusações do Ministério Público, já que ainda não teve tempo para ler todo o processo, que tem mais de 3 mil páginas.

Comunicação entre presos e traficantes

De acordo com o MPES, a comunicação promovida pelos advogados investigados permitia que, de dentro do presídio, os chefes do grupo denominado Primeiro Comando de Vitória (PCV) mantivessem o controle sobre o tráfico de drogas na região do Bairro da Penha, na Capital.

Além disso, a troca de mensagens favorecia a aquisição de armamentos e munições, por parte dos criminosos, o planejamento de homicídios, queima de ônibus e de outras ações violentas.

Foto: Reprodução / TV Vitória

Segundo as investigações, cinco detentos eram responsáveis por comandar a organização criminosa de dentro da prisão. São eles: João de Andrade, o "Joãozinho da 12"; Carlos Alberto Furtado da Silva, conhecido como "Nego Beto"; Geovani de Andrade Bento, o "Vaninho"; Giovani Otacilio de Souza , o "Bob Esponja"; e Pablo Bernardes, o "Geléia".

Eles estava presos na Unidade de Segurança Máxima Estadual, em Viana. No entanto, por solicitação do MPES, foram transferidos, na manhã de segunda-feira, para presídios federais, com aplicação de Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), que consiste na permanência do presidiário em cela individual, com limitações ao direito de visita e do direito de saída da cela.

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