Assassino culpava Camata por ter perdido emprego, afirma testemunha de defesa

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Assassino culpava Camata por ter perdido emprego, afirma testemunha de defesa

O julgamento de Marcos Venício, acusado de matar Gerson Camata, começou nesta terça-feira (03), no Fórum Criminal de Vitória

Thaiz Blunck e Marcelo Pereira

Redação Folha Vitória
Foto: Divulgação
Gerson Camata (à esquerda) foi morto por Marcos Venício (à direita) em dezembro de 2018

Minutos antes de começar o julgamento do acusado de assassinar o ex-governador do Espírito Santo, Gerson Camata, uma testemunha da família conversou com o jornal online Folha Vitória na porta do Fórum Criminal de Vitória. 

Convocado para ser testemunha de defesa de Camata, o advogado criminalista e ex-vereador da Capital, Sebastião Pelaes, afirmou que o réu, Marcos Venício, culpava Camata por ter ficado desempregado.

"Eu sou muito amigo do Marquinhos e conhecia muito o Camata. Ele só falava que queria receber algo do Camata porque tinha ficado desempregado. Uma decisão que ele mesmo me contou é que o Camata, dois anos antes de sair do governo, colocou ele no Banestes. Logo depois ele foi exonerado, e acusa o Camata por isso, por  ter perdido o emprego", contou.
Foto: Marcelo Pereira / Folha Vitória
Sebastião Pelaes foi convocado para ser testemunha de defesa da família Camata

Pelaes afirmou ainda que Marcos Venício nunca demonstrou sentir raiva de Camata, destacando que o ex-governador sempre ajudou o amigo. 

"O Marcos matou um grande político, uma grande pessoa que nunca fez mal à ninguém. Camata respeitava a todos, então acho que Marcos agiu em uma defesa totalmente errada. O Camata sempre ajudou o Marcos, sempre fez tudo por ele, e ele não passava para as pessoas que tinha essa raiva do Camata. Nós ficamos surpresos com isso, porque ele adorava a família do Camata", contou.

OUÇA | Testemunha fala sobre relação de Camata e Marcos Venício

O julgamento de Venício começou nesta terça-feira (03), no Fórum Criminal de Vitória. Doze testemunhas serão ouvidas: sete de acusação e cinco de defesa. 

A defesa do réu recusou a presença de homens como jurados. Diante disso, o júri é composto exclusivamente por mulheres.

'Processo doloroso para a família', diz advogado de defesa

Antes de entrar no Fórum, advogado Ludgero Liberato, que representa a família Camata, conversou com a imprensa. Ele afirmou que o júri é um processo doloroso, mas necessário para a sociedade tenha uma resposta do Estado. 

"Reviver isso em um momento em que a família já tenta seguir a vida, é doloroso, mas necessário para que esse capítulo seja encerrado e a sociedade conheça a resposta que é dada pelo Estado nesses casos de brutalidade", afirmou. 

 "Acreditamos que os cidadãos de Vitória, que hoje estarão aqui representados por esses sete jurados, apreciarão a prova dos autos e dirão a todo o Brasil, em alto e bom som, que nós não toleramos os crimes premeditados e feitos com crueldade à cidadão de bem", destacou o advogado da família.

Rita Camata: 'Vou revisitar a maior dor que já tive'

Rita Camata, ex-deputada federal e viúva de Gerson Camata, compareceu ao Fórum Criminal de Vitória na manhã desta terça-feira (3), para o julgamento de Marcos Venício

Acompanhada do filho, Bruno David Paste Camata, Rita abraçou alguns familiares e amigos que estavam na porta do Fórum e falou brevemente com a imprensa. 

"É um dia triste. Eu vou revisitar a maior dor que já tive em minha vida, mas acredito que haverá justiça", afirmou Rita. 

O julgamento, que começou às 09h e pode durar até três dias, acontece dois anos e meio depois do assassinato de Gerson Camata. 

A defesa afirmou que não espera por absolvição, e que vai apresentar a cronologia dos fatos desde 1986, quando Marcos Vinício e Gerson Camata se conheceram.

O réu será julgado por homicídio qualificado e porte ilegal de arma. A pena máxima é de 34 anos de prisão.

Posicionamento da defesa de Marcos Venício

Antes de entrar no Fórum, o advogado Homero Mafra, responsável pela defesa de Marcos Venício, falou sobre a expectativa para o júri.

 "Julgamento tranquilo, com respeito ao acusado, respeito às provas. Um julgamento sereno", disse.

Gerson Camata foi morto no dia seguinte ao Natal

Foto: TV Vitória

Gerson Camata foi assassinado com um tiro no pescoço, no dia 26 de dezembro de 2018, aos 77 anos, na Praia do Canto, em Vitória. Marcos Venicio, que já foi assessor de Camata, foi preso no mesmo dia e confessou o crime.

Em julho de 2019, a Justiça decidiu que Marcos Venicio, denunciado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, fosse submetido a júri popular.

Marcos Venício é economista e era o responsável pelas finanças e pelas campanhas políticas de Camata entre os anos de 1986 e 2005.

O ex-governador moveu um processo contra o acusado depois que ele foi a público apontar possíveis irregularidades no governo de Camata. Eles tinham uma briga desde então e o processo teria motivado o crime. 

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