Sargento da PM que agrediu frentista ainda exerce função após condenação

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Sargento da PM que agrediu frentista ainda exerce função após condenação

O sargento Clemilson Silva de Freitas foi condenado a um ano e cinco meses de prisão

Foto: Reprodução

O sargento da Polícia Militar Clemilson Silva de Freitas, que agrediu um frentista em um posto de combustíveis de Vila Velha, continua exercendo a função, mesmo após receber uma condenação de um ano e cinco meses de prisão.

O momento exato da agressão foi flagrado por uma câmera de videomonitoramento do posto. Após o caso, o sargento foi considerado culpado pela Corregedoria da Polícia Militar.

Mesmo com a condenação aplicada, a apreensão por parte da vítima continua. Nem mesmo a correria no trabalho diário do frentista foi capaz de tirar o medo constante causado pelo trauma de ter sido agredido no próprio ambiente de trabalho por quem deveria protegê-lo.

"É muita humilhação, ainda mais eu que nunca tinha me envolvido em uma confusão antes. Sou um pai de família com quatro filhos, nunca passei por isso, ontem minhas filhas assistiram aquilo e começaram a chorar", contou.

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O que diz a Polícia Militar?

A PM informou que o sargento foi condenado pela justiça militar a um ano e cinco meses de detenção, período que deveria ser cumprido inicialmente em regime aberto. 

Ele foi condenado pela prática de delito de lesão corporal leve, injúria real e ameaça, todos do código penal militar. Agora, cabe ao Tribunal de Justiça qualquer questionamento acerca da sentença.

O processo administrativo disciplinar já foi concluído e aguarda homologação do conselho de ética e disciplina militar. O prazo para emitir parecer sobre a conclusão é de até 30 dias.

Como a sentença proferida pela auditoria militar foi em regime aberto inicialmente, o militar pode trabalhar exercendo normalmente as funções na atividade operacional. Porém, a vítima não concorda com a decisão.

"Eu achei muito pouco pelo ato que ele cometeu, eu esperava que vinha uma punição melhor mas infelizmente não veio", disse.

O frentista contou que mesmo tocando a vida e tentando apagar da memória tudo que aconteceu, ele não esquece daquele dia.

"Aquele dia foi um momento muito chato na minha vida. Eu nunca me envolvi com nenhuma confusão desde criança e nunca briguei com ninguém, nunca tomei tapa na cara de ninguém e nem dos meus pais. Sempre fui criado com respeito", contou o trabalhador.

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Relembre o caso

O caso aconteceu no dia 23 de janeiro de 2020 quando o sargento Clemilson chegou a um posto e combustíveis no bairro Praia da Itaparica, em Vila Velha. 

Porém, segundo a vítima, a situação teve início quando o PM esteve no posto um dia antes para abastecer uma moto.

Tudo parecia normal, mas o profissional não esperava que no dia seguinte, o mesmo cliente voltaria fardado e agressivo. Veja a cena:

Demora e medo

A equipe de jornalismo da TV Vitória, por meio da Lei de Acesso à Informação, questionou a Polícia Militar sobre a quantidade de policiais militares afastados por agressão ou qualquer outro problema disciplinar.

Após um mês de espera, a PM respondeu o questionamento dizendo que a resposta não poderia ser dada pois não existe pessoal suficiente para analisar processo por processo, tendo em vista que o processo ocorre de forma manual.

O frentista tem medo do que pode acontecer com ele. O único desejo é esquecer todo o pesadelo.

"Hoje a minha vida não continua a mesma porque antes eu tinha uma trabalho tranquilo, não tinha atrito com ninguém, chegava e saía normalmente, mas hoje eu já não tenho mais essa tranquilidade. Eu prefiro entregar tudo nas mãos de Deus e continuar trabalhando", ressaltou.

A defesa do sargento foi procurada pela reportagem, mas até o momento não obteve retorno.

* Com informações do repórter Douglas Camargo, da TV Vitória/Record TV.