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Babá é indiciada por maus tratos a crianças de 1 e 4 anos na Serra

Polícia

Babá é indiciada por maus tratos a crianças de 1 e 4 anos na Serra

Os pais das vítimas começaram a suspeitar da funcionária depois que o menino de 4 anos, que sofre de autismo, apareceu com ferimentos no pescoço

Suspeitas dos pais começaram depois que o menino de 4 anos apareceu com lesões dos dois lados do pescoço Foto: Reprodução

Uma babá de 30 anos foi indiciada pela polícia por maus tratos a duas crianças, de 1 e 4 anos, na Serra. A denúncia foi feita pelos pais das vítimas, que desconfiaram da funcionária e colocaram aparelhos de escuta dentro de casa. Os maus tratos foram comprovados por meio de exames periciais.

As suspeitas começaram depois que o menino de 4 anos, que sofre de autismo, apresentou ferimentos no pescoço. De acordo com os pais, os arranhões apareceram enquanto ele e o irmão estavam sozinhos com babá, que trabalhava na casa da família há cerca de dois meses.

"O meu menino mais velho, de 4 anos, que tem autismo, estava com duas lesões em cada lado do pescoço. Ela explicou que ele iria escorregar no banheiro e foi pegar pelo pescoço para ele não cair. Mas meu esposo achou estranho, porque alguém cair e você pegar pelo pescoço... Tudo bem, pode acontecer, mas duas lesões do lado de cá do pescoço... Achamos estranho, porque nós só temos um dedo do lado da mão. Como poderiam ter duas lesões ali?", questionou a mãe dos meninos.

Os pais também perceberam mudanças no comportamento do filho mais novo. Segundo eles, nas últimas semanas, o bebê passou a ter crises de choro durante a noite. "O meu bebê, de 1 ano e 7 meses, estava acordando de noite, gritando, rangendo os dentes. Porque ele ficava exposto a ela o dia inteiro, de manhã até 6 e 20 da tarde, quando eu chegava em casa", disse a mãe.

Desconfiados, os pais decidiram gravar, em áudio, as conversas que a babá tinha enquanto estava sozinha em casa com as crianças. Em um dos trechos da gravação é possível ouvir sons parecidos com tapas. Em outro trecho, a babá reclama enquanto alimenta os meninos.

As ofensas e ameaças foram registradas em pouco mais de uma hora de gravação. Por volta do meio-dia, a mãe das crianças chega para o almoço e, no áudio, é possível perceber a alegria dos meninos, que correm para abraçá-la.

"Nós colocamos ela para ouvir o áudio e ela continuou negando, mesmo ouvindo os sons das pancadas. Durante o tempo em que a gente estava conversando, ela não demonstrou nenhum sentimento, nenhuma reação. O semblante dela não mudou em nada. Parecia que a gente estava falando com uma estátua. O único momento em que eu percebi que ela moveu o corpo foi quando eu falei: 'se você faz com seus filhos aquilo que você fez com os meus, eu não sei o que será deles no futuro'", contou a mãe.

Suspeita foi ouvida na DPCA e admitiu ter cometido excessos, mas garante que não bateu nas crianças Foto: Divulgação

Após constatar os possíveis maus tratos, os pais procuraram a polícia para registrar um boletim de ocorrência. A suspeita prestou depoimento na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), em Vitória.

Segundo o delegado Loreno Pazolini, a mulher admitiu que houve excesso, mas negou ter batido nas crianças. No entanto, as vítimas foram submetidas a exames, que comprovaram lesões corporais provocadas por socos e tapas. 

"Ela disse que realmente cometeu excesso verbal, ou seja, ela xingava constantemente essas crianças. Obrigava essas crianças a comer e tratava as crianças de maneira indevida, com abusos verbais e até mesmo com excesso de linguagem. Ela, até certo ponto, negou a violência física, mas nós temos um laudo de lesões corporais, que comprava as lesões na criança. Ou seja, apesar de ela ter negado, nós temos uma prova técnica, um exame realizado pelo médico legista. Então não há como ela negar a prática das lesões", ressaltou o delegado.

A babá foi demitida pela família e indiciada pela polícia por maus tratos. Segundo Pazolini, a mulher pode ser condenada a até três anos de detenção. "Se em 70 minutos ela fez aquilo tudo com as minhas crianças, inclusive praticou 'bullying' com o meu menino, que é autista, o que ela pode ter feito nesses dois meses em que ela ficou com meus meninos aqui?", lamentou a mãe.

Para o delegado, o caso serve de alerta para outras famílias. Ele orienta os pais a sempre ficarem atentos com seus filhos. "É fundamental que as famílias mantenham-se atentas. Sobretudo mantenham um diálogo com as crianças, ouçam as crianças dentro de casa e monitorem todo aquele comportamento", orientou.