Servidoras da Sedu são exoneradas por suspeita de desvio de R$ 660 mil

Polícia

Servidoras da Sedu são exoneradas por suspeita de desvio de R$ 660 mil

Duas funcionárias eram comissionadas e a outra possui contrato de DT com a secretaria. Esquema foi descoberto na última segunda-feira, durante uma auditoria de rotina

Servidoras da Sedu são suspeitas de desviar cerca de R$ 660 mil dos cofres públicos Foto: Divulgação/Governo

Três servidoras da Secretaria de Educação do Espírito Santo (Sedu) foram exoneradas, suspeitas de terem desviado cerca de R$ 660 mil da secretaria. O esquema fraudulento foi descoberto na última segunda-feira (17), durante uma auditoria de rotina realizada pela Secretaria de Estado de Controle e Transparência (Secont) e pela Sedu.

O desvio teria ocorrido no dia 20 de abril deste ano, durante pagamentos feitos para uma empresa, que não teve o nome revelado e que já possuía contrato com a Sedu. Para isso, foram feitas três ordens de pagamento.

O primeiro pagamento foi feito para a conta regular da empresa. O segundo foi cancelado pelas servidoras. Já o terceiro foi endereçado para uma conta que teria sido usada para fazer o desvio do dinheiro. Ainda não se sabe se essa conta estava inativa ou se foi fraudada pelas servidoras.

Os dois pagamentos efetuados foram de aproximadamente R$ 660 mil, com uma diferença de apenas um centavo entre eles. Outro detalhe que chamou a atenção dos auditores foi que a Sedu só realiza um pagamento por mês para cada empresa com quem possui contrato e, nesse caso, os dois pagamentos foram feitos em um intervalo de menos de três horas.

"Essas servidoras criaram uma conta espelho, emitiram a nota de pagamento verdadeira para a empresa e emitiram uma segunda nota de pagamento falsa, para que esse grupo de estelionatários pudessem locupletar", frisou o secretário de estado de Controle e Transparência, Eugênio Ricas.

Eugênio Ricas e Tarcísio Bobbio explicaram o funcionamento do esquema fraudulento Foto: Beto Morais/Secom-ES

Duas das funcionárias acusadas de desvio são comissionadas e ocupavam cargos de confiança na secretaria. Segundo a Sedu, as duas já foram exoneradas. Já a terceira suspeita trabalha na secretaria em Designação Temporária (DT) e será desligada da função na próxima segunda-feira (24). Ambas atuavam no setor financeiro da Sedu.

Uma das servidoras comissionadas era responsável por cadastrar a conta da empresa no sistema financeiro da secretaria e a outra fazia as ordens de pagamento. Já a funcionária em DT teria feito a alteração na conta utilizada na fraude.

As três mulheres deverão ser ouvidas, na semana que vem, pela Corregedoria da Sedu e também pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc). "O objetivo da corregedoria é apurar a responsabilidade que cada servidora teve nessa fraude e até ajudar a autoridade policial no que for necessário", disse o corregedor da Sedu, Tarcísio Bobbio.

O Nuroc também vai pedir a quebra de sigilo dos envolvidos no esquema, além de fazer o rastreio do dinheiro desviado. O núcleo também deve pedir a prisão das pessoas que participaram do esquema. Um procedimento será instaurado para pedir o ressarcimento do dinheiro aos cofres públicos.

A sofisticação do esquema, com o uso de informações privilegiadas, e o volume de dinheiro movimentado em tão pouco tempo levaram a Sedu a acreditar que se trata de uma quadrilha especializada, que inclusive estaria atuando em outros estados. "Ao que tudo indica é uma quadrilha de estelionatários que cooptavam servidores dentro de uma secretaria. Mas, pela sofisticação da fraude, é possível inclusive que isso esteja acontecendo em outros estados", ressaltou Ricas.

Ainda não é possível dizer se a empresa fazia parte da quadrilha ou se foi usada para a fraude. A Sedu informou que já notificou a empresa, para que ela diga se sabia da existência dessa segunda conta em seu nome.