Polícia

Caso Vitória: 'Foi como se tivessem tirado uma faca de dentro de nós', diz pai de adolescente após júri

Beto Vaz, pai da menina Vitória Gabrielly, participou do julgamento do homem acusado de matar sua filha de 12 anos em 2018

Foto: Reprodução / Facebook

Beto Vaz, pai da menina Vitória Gabrielly, participou do julgamento do homem acusado de matar sua filha de 12 anos. Ele falou com o portal R7 na saída do Fórum de São Roque, 11 horas depois de sua chegada na segunda-feira (21), e sentiu alívio pela condenação de 34 anos de prisão do ajudante de pedreiro Júlio Cesar Ergesse, acusado de sequestro e assassinato.

"Sentimos que havíamos feito Justiça em nome dela. Foi como se tivessem tirado uma faca de dentro de nós", afirmou.

O réu recebeu pena de três anos pelo sequestro, 18 anos pelo assassinato, um ano e meio por ter ocultado o corpo, agravada por motivo torpe, meio cruel e recurso que impediu que a vítima se defendesse.

"Quando o promotor Washington Luiz Rodrigues Alves fez a apresentação do patins foi muito doloroso. Quando ele levantou o saco plástico transparente com o patins, que estavam sendo preservados pela Justiça, junto com os chinelos cor de rosa dela, foi muito forte e emocionante para nós", afirmou o pai.

Beto Vaz e Rosana, pais de Vitória Gabrielly, viram as imagens da localização do corpo da filha em uma região de mata, em Araçariguama, no interior paulista. "Sabemos que é necessário, mas pelo fato de estarem em segredo de Justiça e terem sido utilizadas pela perícia, ainda não tínhamos visto as fotos. Foram muito dolorosas", revelou Beto Vaz.

O julgamento propiciou uma sensação distinta. "Essa noite consegui tirar um peso das costas. Nessa noite, tirei uma certa carga, consegui descansar, acordei revigorado. No Fórum, perdemos a noção do tempo, após tantas horas. Falaram que tinha chovido muito, mas não percebemos", conta o pai da vítima, que se emocionou discretamente após a decisão do juiz que anunciou a condenação.

A defesa do ajudante de pedreiro questionou os exames de DNA que apontaram luta corporal entre a menina e o homem. "Tive medo pela forma como estava sendo conduzida a situação, eles tentaram deslegitimar o trabalho da perícia", destaca.

"O assistente de defesa de Júlio chegou a dizer que as unhas (que teriam material genético da menina) não eram do Julio", diz Beto. "Era o momento da fase final, fiquei muito nervoso, mas tivemos o apoio de várias pessoas do Núcleo de Apoio às Vítimas de Violência, que estavam nos bancos detrás".

Quem é o autor do crime

Júlio César era considerado pela polícia como testemunha fundamental do caso, após informação obtida através de um vizinho do ajudante de pedreiro, que morava em Mairinque, na Grande São Paulo. Foi assim que outros envolvidos foram descobertos: Maiara Borges de Abrantes, de 24 anos, e Bruno Marcel de Oliveira, de 33 anos. Já o quarto suspeito foi encontrado em maio: Odilan Alves, de 36 anos, apontado como chefe do tráfico em Araçariguama. 

Odilan teria sido o mandante do sequestro de Vitória Gabrielly. Porém, a vítima seria outra, também como nome de Vitória, suposta irmã de um usuário de drogas que devia R$ 7 mil reais a um traficante. A polícia concluiu que a jovem foi confundida.

Com informações do portal R7!

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