Presos integrantes de quadrilha que expulsava moradores para venderem casas em Cariacica

Polícia

Presos integrantes de quadrilha que expulsava moradores para venderem casas em Cariacica

Suspeitos são acusados de comandar o tráfico de drogas na zona rural do município. Segundo a polícia, além de matar pessoas, eles expulsavam a família das vítimas de suas casas

Os três suspeitos foram presos no mês passado e apresentados pela Polícia Civil nesta quarta-feira Foto: TV Vitória

A polícia conseguiu desmontar uma quadrilha acusada de comandar o tráfico de drogas na zona rural de Cariacica e aterrorizar os moradores da região. O inquérito da Polícia Civil foi concluído nesta quarta-feira (04) e três suspeitos de integrarem a organização criminosa, presos desde o mês passado, foram apresentados. 

Segundo policiais da Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) de Cariacica, eles cometiam assassinatos e ainda expulsavam os familiares das vítimas de suas próprias casas. Em muitos casos, de acordo com a polícia, os criminosos vendiam as residências tomadas por valores bem abaixo do mercado.

Os três suspeitos foram indiciados por três homicídios qualificados, mas também podem ter participado de outros assassinatos. Além disso, eles são acusados de aterrorizar moradores dos bairros Alice Coutinho, Prolar, Areinha, Limão e Andorinhas. Segundo a polícia, o grupo agia na região há cerca de dois anos.

De acordo com as investigações, Washington Araújo dos Santos, de 19 anos, mais conhecido como "Xereco", seria o matador do grupo. Ele já estava preso por uma tentativa de latrocínio, que acabou com um taxista esfaqueado. O crime aconteceu em agosto deste ano, em Cariacica-Sede.

Ainda segundo a polícia, o líder da quadrilha é João Luiz Broedel Júnior, o "Juninho Sem Dente", de 22 anos. Já Wednei da Conceição Gomes, de 19, vulgo "Nengo", é apontado pela polícia como o "braço direito" do chefe do grupo e também é acusado de ameaçar familiares de vítimas. Os três suspeitos, no entanto, negam todas as acusações.

"Estou com minha consciência tranquila que eu não fiz isso não. Estava trabalhando com meu sogro. Estou preso como suspeito", disse João Luiz.

"Sempre estive trabalhando. O dia que eles foram me buscar eu estava trabalhado. Sempre fui trabalhador, desde os meus 7 anos de idade que eu trabalho. Eles me acusam pela inveja das coisas que eu tenho", alegou Wednei.

Segundo o delegado Marcelo Cavalcanti, a polícia tem provas suficientes contra os suspeitos Foto: TV Vitória

No entanto, de acordo com o delegado Marcelo Cavalcanti, da DCCV de Cariacica, os três estão envolvidos em dez inquéritos policiais por homicídio, porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas. "Chegamos até os suspeitos após diversas denúncias anônimas que informavam toda a ação dos indivíduos. A partir disso, iniciamos a investigação e conseguimos provas suficientes contra eles", informou o adjunto da DCCV de Cariacica.

Apesar da prisão do trio, parte da quadrilha continua foragida. Segundo Marcelo Cavalcanti, a gangue tem pelo menos oito integrantes. Dois deles já foram identificados, mas ainda continuam soltos.

"Nós temos hoje cinco identificados e precisamos da ajuda da sociedade para identificar quais são os outros. Contudo, nós vamos apresentar três e os outros dois são menores", ressaltou o delegado.

Expulsão

Segundo o inquérito da Polícia Civil, além de matar pessoas que ameaçavam comprometer o comando da quadrilha no tráfico de drogas da zona rural de Cariacica, os criminosos expulsavam as famílias das vítimas das próprias casas.

"Além de cometerem homicídios, o grupo agia expulsando moradores de suas residências, com intuito de vender os imóveis. Eles são conhecidos no bairro pela forma cruel que tratam as vítimas e as famílias delas", contou Cavalcanti.

Régis Vaz Assis foi assassinado na frente da família, em abril do ano passado, no bairro Alice Coutinho Foto: ​TV Vitória

A polícia conseguiu confirmas três imóveis nessa situação, mas, de acordo com as investigações, mais de 20 residências foram tomadas. Essas casas, de acordo com as investigações, eram usadas para moradia dos suspeitos, pontos de tráfico e eram até colocadas à venda. Os policiais chegaram a encontrar casas com placas de venda e oferecidas a R$ 7 mil.

De acordo com a polícia, entre as vítimas da quadrilha estão: Leandro da Silva Morais, de 23 anos, Zuloaga Ferreira Cristo, de 55, e Régis Vaz Assis, de 26. Este último foi executado dentro de casa, na frente da mãe e da irmã, em abril do ano passado. Segundo a polícia, a família deixou a cidade e foi para o interior do Estado, onde o irmão de Régis também foi morto pelos criminosos. 

Outra vítima foi Leandro de Almeida Costa, de 21 anos, assassinado em agosto do ano passado no bairro Antônio Ferreira Borges. Segundo o delegado, a casa de Leandro foi saqueada e tomada pela quadrilha. A mulher da vítima, que estava grávida, nem chegou a voltar para a residência.

A polícia suspeita que muitas famílias perderam as casas para os bandidos e espera que os moradores da região ajudem a encontrar o restante da quadrilha. "Nós temos muitas provas de que eles realmente expulsam as pessoas de dentro de casa. Eles oprimem os moradores, comandam o bairro com muita violência. Ou acham que comandam, porque, na verdade, quem manda na sociedade, nos bairros, é a ordem pública", destacou o delegado.

Quem tiver qualquer informação que ajude o trabalho da polícia deve entrar em contato com o disque-denúncia, pelo telefone 181. Não é preciso se identificar e o sigilo é garantido. Os suspeito já detidos foram encaminhados para o Centro de Triagem de Viana (CTV), onde permanecem à disposição da Justiça.