Jovem é baleado no braço e outro fica ferido após ação policial em baile funk de VV

Polícia

Jovem é baleado no braço e outro fica ferido após ação policial em baile funk de VV

O vendedor e o irmão estavam dentro da boate, na Orla de Itaparica, onde 60 policiais civis realizaram a ação para localizar suspeitos de homicídios

O tênis do irmão da vítima ficou com marcas de sangue Foto: TV Vitória

Um vendedor de 23 anos foi baleado por policiais durante a operação da Polícia Civil em um baile funk de Vila Velha, na madrugada desta sexta-feira (17).

O vendedor e o irmão estavam dentro da boate, na Orla de Itaparica, onde 60 policiais civis realizaram a ação para localizar suspeitos de homicídios. 

Segundo o irmão da vítima, durante as abordagens, um dos policiais acabou atingindo o braço do vendedor com um tiro. “Pediram para a gente abaixar, o meu irmão e pediu que eu abaixasse. Eu pedi calma ao policial e disse que iria abaixar. Nisso, acho que o policial estava com pressa, efetuou o disparo que eu ainda não entendi até agora. Achei que fosse um disparo de advertência, mas ele não viu direção e atingiu o braço do meu irmão. Fiquei com medo de perder ele o tempo todo. Se ele estivesse com o braço colado ao corpo, o tiro poderia ter o matado”, relata.
 
O vendedor foi socorrido em uma viatura do Corpo de Bombeiros, que estava em frente à boate. O rapaz foi levado para o hospital Antônio Bezerra de Faria, em Vila Velha, onde teve que passar por uma cirurgia. “Disseram que ele teve muita sorte porque o tiro não atingiu o osso, só pegou o braço mesmo. Depois, viram que acabou pegando uma artéria. Ele vai ter que passar por uma cirurgia”, afirma.

Para o irmão da vítima, os policiais agiram com excesso. Ele conta que assim como o irmão, não têm passagem pela Justiça e que após o ocorrido, a família pretende processar o Estado. “Pretendemos acionar a Justiça porque achamos que houve excesso por parte dos policiais. Foi uma irresponsabilidade, pretendemos sim acionar a Justiça, vamos entrar com uma ação contra o Estado”, conclui.  

Rapaz atingido por balas de borracha

O vendedor de 23 anos não foi o único ferido durante a operação policial no baile funk de Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha. 

A outra vítima foi o estudante Thiago Sampaio. O jovem reclamou da forma como a ação foi realizada e afirma que foi atingido por balas de borracha nas pernas. “Foi apavorante, o poder público não tem o procedimento certo, eles já chegaram atirando. Tinham mais de 500 pessoas dentro do estabelecimento e os policias deram vários tiros. Jogaram gás lacrimogênio. Nem todo mundo que freqüenta a casa é bandido. 

Durante a operação – realizada nas proximidades e dentro da boate – todos os freqüentadores do local foram revistados, uma estratégia para que a polícia conseguisse deter suspeitos de crimes. Pelo menos 20 pessoas foram levadas para a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, em Vitória.
 
Um dos motivos que motivaram a ação da polícia foi a denúncia de que suspeitos de homicídios frequentariam a boate. 

Todos os frequentadores da boate foram revistados pela polícia Foto: Marcelo Rosa/TV Vitória

Entenda o caso

Pelo menos 20 pessoas foram detidas durante a operação policial em um baile funk na madrugada desta sexta-feira (17), no bairro Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha.

A ação, acompanhada com exclusividade pela equipe da TV Vitória, foi realizada por 60 policiais da Delegacia de Crimes Contra a Vida de Vila Velha, de Cariacica e também do Grupo de Operações Táticas (GOT), com o apoio de 30 homens da Guarda Municipal de Vila Velha, e teve o objetivo de combater o tráfico de drogas, apreender armas e capturar prender suspeitos de homicídio.

Para a operação, agentes da Guarda Municipal interditaram as ruas ao redor do estabelecimento. Segundo os proprietários da boate, aproximadamente mil pessoas estavam no local e todas foram revistadas, inclusive as mulheres. Quem estava com chave de carro, também teve o veículo revistado. 

Logo na primeira abordagem, os policiais encontraram uma pistola 9 mm em um carro estacionado próximo ao baile funk. Outras três armas de fogo também foram apreendidas. Um dos objetos estava no veículo de um rapaz que tem oito passagens pela Justiça. 

Durante a operação, o Corpo de Bombeiros precisou ser acionado, já que houve uma denúncia de que criminosos iriam colocar fogo no local para atrapalhar o trabalho da polícia.

De acordo com o prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda, o estabelecimento é regularizado, mas operações similares devem acontecer em outros locais do município. "Esse estabelecimento está regularizado, embora a medição dos decibéis esteja acima do padrão permitido. Nós temos leis, nós temos que fazê-los cumprir e vamos apertar, cada vez mais, a fiscalização nesses estabelecimentos", disse.

Por volta das 4h30, os policiais entraram na boate. Muitas pessoas tentaram fugir pela saída de emergência e houve correria. Alguns freqüentadores acabaram feridos no tumulto e foram atendidos pelo Corpo de Bombeiros.

Segundo informações da Polícia Civil, os detidos e os materiais apreendidos foram inicialmente levados para uma delegacia móvel, estacionada próximo a boate e depois serão encaminhados a delegacias especializadas.

Resposta da Boate - Segundo o advogado contratado pelos donos da boate, Henrique Rosa, os proprietários devem se manifestar em um momento oportuno. Sobre a segurança no local, o advogado disse que, geralmente, as pessoas não entraram portando armas na boate. “Nós avaliamos positivamente a operação, porque é um dever da polícia fazer esse tipo de ação. Achamos inclusive que isso vai melhorar a freqüência da casa. Nós queremos que as pessoas que frequentam a boate se sintam seguras. Para isso, nós temos a segurança própria. Não foi encontrada nenhuma arma dentro da boate”, disse.

Para o advogado, a forma como a polícia atuou na boate precisa ser revista. “Precisamos melhorar alguns aspectos, porque entendi que foi desnecessária a invasão da boate com o uso de bombas de efeito moral e balas de borracha. Frequentadores ficaram feridos. Isso pode ser ajustado no futuro e resultar em benefício para a sociedade. Queremos ver a polícia agindo, mas usando a força proporcional”, afirma.